Talento e determinação
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terça-feira, 09 de dezembro de 2008
Mariana Trigo<br> TV Press 
Karina Anhê teve de driblar várias vezes os pais para se tornar atriz. Com um olhar desconfiado e de poucas palavras, a intérprete da secretária Fátima, em ''Negócio da China'', precisou de fôlego de atleta para conseguir estrear na carreira. Como morava em Araçatuba, no interior de São Paulo, com os pais advogados e muito tradicionais, sua primeira alternativa para ser atriz foi pegar a contramão: concordou em fazer faculdade de uma carreira ''convencional''. Decidiu se inscrever em Medicina e, dessa forma, agradou a família. Em contrapartida, disse que queria cursar a universidade no Rio de Janeiro. Os pais relutaram, mas ela conseguiu. Acabou sendo aprovada no vestibular e se mudou de mala, cuia e sonhos de pisar nos palcos cariocas. Tanto que sua primeira iniciativa foi se matricular na CAL - Casa das Artes de Laranjeiras. ''Parecia um urso panda de tanta olheira. Fazia Medicina o dia inteiro, depois ia para a CAL e, bem tarde, para a academia. Vivia exausta'', lembra.
Mas a saga pela carreira começou a funcionar. Como as aulas na CAL passaram a ficar em segundo plano por causa das disciplinas do quinto período da faculdade, Karina ligou para os pais com um argumento convincente. ''Pedi para trancar a faculdade por apenas seis meses porque estudava na Baixada Fluminense e estava começando a ficar perigoso passar por tiroteios de vez em quando'', sustenta, séria. Mas logo mostra os dentes brancos num sorriso ao lembrar que os pais apoiaram a decisão. Dois anos depois e sem sinais de regresso à faculdade de Medicina, a paulista de apenas 24 anos comemora a decisão.
Karina começou a frequentar diversas peças teatrais e a conhecer pessoas envolvidas com a profissão no Rio. Logo foi apresentada a Miguel Falabella, que a chamou para fazer o papel da secretária do malandro Mauro, o advogado vivido por Oscar Magrini. Como o personagem trai a mulher Joelma, vivida por Vera Zimmermann, Fátima logo começa a se envolver não só com as falcatruas do chefe no escritório, mas também com suas armações pessoais. ''Nem precisei fazer testes'', comemora, fazendo biquinho. Foi a deixa que a atriz precisava para se afastar de vez do curso de Medicina.
A obstinação de Karina durante esse período foi evidente. Para exterminar de vez o arrastado sotaque paulista, que ressalta muito os ''erres'', a atriz aproveitou cada detalhe das sessões de fonoaudiologia das aulas na CAL. ''Eu falava 'poirrta' mesmo. Sabia que se não resolvesse isso, não iria a lugar nenhum. Consegui tirar o sotaque em poucos meses com exercícios específicos'', festeja a atriz, que completa seis anos no Rio.
Nesse período, conseguiu atuar em peças de destaque na CAL, em montagens de clássicos como ''A Gaivota'', de Anton Tchekhov, e ''Laranja Mecânica'', do romancista Anthony Burgess, entre outras. Paralelamente, Karina assegura que não se descuida da alimentação equilibrada e da rotina exaustiva de exercícios físicos para manter seus 59 kg distribuídos em 1,72 m de altura. Para isso, pratica uma série puxada de musculação quatro vezes por semana, corre na praia e se entrega às sessões de drenagem linfática duas vezes por semana. Para completar o cardápio de vida ''natureba'', Karina nunca bebeu refrigerante na vida e jura que só digere alimentos integrais, saladas, grãos e muitas frutas. ''Gosto de ser saudável. Isso é fundamental para ter um corpo no lugar e dar certo nessa carreira. Estou no caminho certo. Às vezes me surpreendo: cara, olha só onde já cheguei!''.


