Talento da dança
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quinta-feira, 02 de agosto de 2012
Nelson Sato <br>Reportagem Local 
Fazer parte de uma companhia internacional de dança é um sonho distante para bailarinos do interior do Brasil. Sem a combinação rara de talento, sacrifício, persistência e surpresas do destino dificilmente ocorrem finais felizes para aspirantes ao estrelato.
O londrinense Pedro Ernesto Frizon, 16 anos, deu um grande passo para chegar lá. Aluno da Escola Municipal de Dança da Zona Norte, ele foi selecionado para estudar como bolsista na Escola de Teatro Bolshoi, de Joinville (SC), única filial estrangeira da célebre instituição russa.
É o primeiro de Londrina, mas outros alunos da região já foram contemplados como bolsistas na unidade brasileira do Bolshoi. A bailarina Danúbia Caroline Barbosa Pereira iniciou-se no balé na Fundação Cultural de Ibiporã, depois cursou quatro anos na unidade brasileira do Bolshoi e este mês embarca para a Áustria como contratada do Ballet Salzburg Landestheater.
Pedro recebeu a boa notícia após retornar do Festival de Dança, realizado mês passado em Joinville, onde permaneceu por duas semanas participando de oficinas de formação. ''Surgiu um teste seletivo para o Bolshoi e alguns amigos me incentivaram a fazer inscrição. Fiquei meio inseguro porque a escola é muita rigorosa na avaliação, mas decidi arriscar. Passei pelas eliminatórias com exercícios na barra, ultrapassei outras etapas e também pelo exame médico. No final veio o resultado e fui selecionado ao lado de mais cinco candidatos. Estou muito animado para estudar numa escola que é filial da escola que forma os melhores bailarinos do mundo'', diz ele.
Filho de um motorista e de uma enfermeira, Pedro está no sétimo ano do curso regular da Escola Municipal de Dança de Londrina, que tem duração de oito anos. ''Vou dar continuidade no Bolshoi e me formar lá'', salienta. Ele conta que lhe ofereceram duas opções para iniciar o curso: na primeira frequentaria as aulas já em agosto, enquanto na segunda poderia começaria a nova vida em fevereiro de 2013. Preferiu a segunda.
''É que estou no terceiro ano do Ensino Médio. Eu quero terminar o colégio primeiro para poder me dedicar depois só à dança'', explica. Na perspectiva de uma transformação radical em sua vida, com a mudança de cidade e a distância da família, o jovem bailarino só tem uma preocupação. ''Vou ganhar bolsa integral da escola, mas terei que pagar a moradia. Tentarei um patrocínio. Se não der, meus pais vão me ajudar'', revela.
Segundo a coordenadora da Escola Municipal de Dança de Londrina, Sônia Secco, Pedro demonstra pontencialidades para se tornar um grande bailarino. ''Ele é talentoso, aplicado, perseverante e tem o físico adequado. Os avaliadores do Bolshoi destacaram a elevação nos saltos e a técnica dos giros como qualidades para sua idade. Para nós é muito relevante o fato de ser um homem, porque geralmente as mulheres têm mais oportunidades para conquistar espaços na dança. Às vezes a própria sociedade rejeita homens que optam pelo balé'', diz.
Sônia lembra que ''da Escola Municipal saíram bailarinos para companhias do Brasil todo, como o Balé da Cidade de São Paulo e do Teatro Castro Alves, na Bahia''. Ela explica que nos últimos três anos, foram realizadas mudanças no conteúdo do curso para priorizar o aperfeiçoamento da técnica dos alunos. ''Temos a intenção, inclusive, de futuramente criarmos um corpo de balé clássico a exemplo do corpo de dança contemporânea representado pelo Ballet de Londrina'', assinala.
A Escola Municipal de Dança conta atualmente com 300 alunos em sua sede central e 130 na extensão da Zona Norte.


