São Paulo - Foi-se o tempo em que uma piada ou um esquete em um programa de humor só gerava uma sonora gargalhada ou um sorriso amarelo. Em tempos de Twitter, quando um humorista lança mão de um caso considerado de mau gosto, mensagens iradas pipocam nas redes sociais.
Um dos principais alvos tem sido Danilo Gentili, do ''CQC'' (Band). ''Acho que muito tem se falado sobre o limite do humor, mas esquecem de comentar o limite do mau humor. Afinal, o que gera toda essa discussão chata são justamente as pessoas que, em vez de rirem, ofendem-se com as piadas'', diz ele.
Para o apresentador do ''Pânico na TV'' (Rede TV!), Emílio Surita, a mídia tem dado muita atenção ao que os humoristas dizem. ''As piadas não devem ser levadas a sério, mesmo porque elas não são notícias'', afirma. Ele ainda diz que o humor não pode ter limite.
Essa mesma lição foi ensinada por Cláudio Paiva, roteirista do ''TV Pirata'', um dos principais programas humorísticos do Brasil nos anos 1980, ao elenco da atração, segundo a atriz Louise Cardoso. ''Ele dizia que, no humor, vale tudo. Caso contrário, seria impossível satirizar qualquer situação'', conta ela.
Louise acha que, hoje, a internet facilita as críticas. Para Marcelo Madureira, do ''Casseta & Planeta'', o universo de pessoas que têm acesso às mídias sociais é pequeno, e o das que sabem usar e usam essas mídias é ainda menor. ''A imprensa repercute muito isso e cria certa histeria'', acredita. Para ele, o humorista pode fazer piada com caolho, com manco, com velho... desde que seja boa.
Marcos Mion, do ''Legendários'' (Record), afirma que tem evitado esse caminho. ''Uma piada que lhe causa culpa por achar graça não é hoje o que eu considero uma boa piada. Nada contra quem faz, mas não é o que faz a minha cabeça.''

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