São Paulo, 27 (AE) - Desde que chegou a São Paulo, há uma semana, Seijun Suzuki já foi à Hípica e ao mar. Conheceu a praia de Camburizinho. O homenageado especial da 23ª Mostra Internacional de Cinema, que programou uma retrospectiva de sua obra, é simpático e bem-humorado. Ganhou fama como transgressor no Japão, subvertendo, à base de ação e erotismo, os esquemas das produções que fez para a empresa Nikkatsu nos anos 60. Dois filmes de Suzuki nesta época passam na quinta na mostra: "Flor" e "Mar Bravo", de 1964, às 15 horas na Sala Cinemateca, e História de Uma Prostituta, de 65, às 21h45, no MIS. Após a exibição do segundo, haverá debate com o diretor, no local.
É a primeira grande homenagem que Suzuki recebe num festival internacional e, por isso, está honrado e emocionado. Mas ele destaca o prêmio de direção que ganhou em Berlim por "Kageroza", no começo dos anos 80. Não foi por decisão própria que virou diretor. "Era a empresa (a Nikkatsu) que decidia." Quando começou na Nikkatsu, Yasujiro Ozu já havia atingido o ápice de sua arte, trabalhando na Shochiku. "Só restava a nós, jovens, tentar um caminho próprio, senão ficaríamos eternamente à sombra dos mestres."
Suzuki virou um autor debochado e radical, mas não se considera um diretor da nouvelle vague japonesa. Diz que quem se enquadra na definição é Nagisa Oshima. Ele foi sempre um homem da Nikkatsu, mas tentou percorrer uma via própria. Teve problemas por causa disso. "A Marca do Assassino", de 1967, provocou verdadeiro escândalo e foi considerado incompreensível para o público.
O cineasta tem um carinho especial por esse filme. "Se me causou tantos problemas é por que devia ser o melhor, o mais radical, não é?" Quando foi demitido da Nikkatsu, moveu um processo contra a empresa. Ganhou, mas ficou dez anos sem filmar. Tornou-se um independente. Explica sua preferência pelas fusões como "uma questão de temperamento". Gosta de trabalhar com a cor porque lhe permite "atrair o espectador".
"A História de uma Prostituta" é a refilmagem e reinterpretação da trágica história de um soldado e uma prostituta durante a 2.ª Guerra. Antes da de Suzuki, outra versão do mesmo tema foi realizada por Senkichi Taniguchi.

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