Sustos previsíveis
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de março de 2001
Celso Mattos De Londrina 
Enquanto esperava Tom Hanks perder 25 quilos para rodar a segunda parte de Náufrago, o cineasta Robert Zemeckis aproveitou para filmar Revelação, com Michelle Pfeiffer e Harrison Ford. Apesar de reunir três pesos pesados de Hollywood, o filme é um suspense sobrenatural sem charme. Revelação segue um roteiro burocrático escrito a partir de uma idéia de Steven Spieberg que fica muito aquém do talento envolvido.
Ao estilo de Contos do Além-Túmulo e Histórias Maravilhosas, o filme parece ter sido feito apenas para manter em evidência o nome do diretor até o lançamento de Náufrago. Afinal, visões do além não são mais novidade, principalmente quando o tema é tratado de forma burocrática. Em Revelação, Claire (Michelle Pfeiffer) interpreta uma mulher solitária que começa a ser assombrada por uma garota que morreu em circunstâncias misteriosas.
A garota, na verdade, quer que Claire investigue sua morte e descubra a verdadeira causa. É justamente essa revelação que dá título ao filme. Mas tudo é tão previsível e feito apenas para assustar que a fita, às vezes, se torna irritante. Além disso, não faltam referências grotescas ao trabalho do mestre Hitchcock, como a famosa cena do chuveiro e a mania que Claire tem de espionar o casal de vizinhos pela janela de seu quarto. Até a ótima trilha sonora assinada por Alan Silvestri lembra as composições de Bernard Hermann.
A única novidade em Revelação é o fato de Harrison Ford deixar de lado os papéis de bom moço para fazer um homem perverso. O filme está sendo lançado simultaneamente em DVD, que traz o making of e trailers de cinema. Lançamento da Fox. Duração: 129 minutos.
Outros lançamentos
ReproduçãoPersonagens divagam sobre solidão neste drama instigante
Os Cinco Sentidos
Eis aqui um filme que foge ao convencional. Com uma narrativa no estilo dos cineastas europeus, lenta, mas contundente e poética, Os Cinco Sentidos fala da dificuldade de comunicação e relacionamento entre as pessoas nos dias atuais. Apresentado no Festival de Cannes (quinzena de realizadores) e no Festival de Toronto, o filme mostra que só conseguimos nos conectar com o mundo através das relações humanas.
Em clima bastante melancólico, o diretor e roteirista Jeremy Podeswa entra no universo de personagens que divagam sobre solidão, prazer e afeto. Tudo é mostrado através dos cinco sentidos: paladar, olfato, tato, audição e visão. Esses sentidos criam pontes, definem comportamentos e limitam ações. Os Cinco Sentidos não vai mudar sua vida, mas é uma obra instigante que faz pensar. Lançamento da Cannes. Duração: 105 minutos.
ReproduçãoEste drama sobre redenção consegue ser um bom programa, apesar da falta de sutileza
Um Homem de Família
O filme é uma refilmagem mascarada de Destino em Dose Dupla, de 1990, que também era uma fábula de redenção pessoal. Em Um Homem de Família, Nicholas Cage é um playboy yuppie que trabalha na Wall Street e que da noite para o dia, se vê morando em um subúrbio de Nova Jersey com mulher e dois filhos. Tudo isso para mostrar que a vida é determinada por nossas decisões. Ou seja, tenta responder aquela velha questão: Como teria sido a minha vida se eu tivesse ou não casado?.
Ao estilo de Frank Capra mestre dos dramas edificantes e sobre os valores do homem o diretor Brett Ratner faz uma crítica ao egoísmo. Mas falta a Ratner a sutileza de Capra. Em alguns momentos, ele exagera na dose criando cenas desnecessárias. Entretanto, Um Homem de Família funciona bem como drama e consegue ser um bom programa. Lançamento da Europa. Duração: 127 minutos.


