Numa escala de zero a dez, ‘‘Segredo de Sangue’’ merece nota cinco. É um filme fraco. Com um roteiro previsível e uma direção óbvia, a fita desperdiça o talento das duas atrizes que encabeçam o elenco: Jessica Lange e Gwyneth Paltrow. A começar pela primeira que mesmo dispensando apresentações, é impossível não lembrar de suas atuações em ‘‘Frances’’ e ‘‘Céu Azul’’, que lhe rendeu um Oscar de melhor atriz. Já Gwyneth não tem a mesma bagagem artística, mas promete muito, pois tem feito bons trabalhos no cinema.
O grande defeito de ‘‘Segredo de Sangue’’ que marca a estréia na direção de Jonathan Darby, um egresso do teatro, é a total falta de suspense. Desde os primeiros minutos, o telespectador já sabe como o filme vai se desenvolver e, o que é pior, como será o desfecho final. Apesar de abordar aspectos relacionados a desequilíbrio emocional e complexo de culpa, os personagens não têm um aprofundamento psicológico. Com alguns lances que lembram outras produções como ‘‘Mamãezinha Querida’’ e ‘‘O Bebê de Rosemary’’, ‘‘Segredo de Sangue’’ esbarra na insegurança do diretor que teve medo de ousar.
Os enquadramentos são comuns, a fotografia é lavada e a narrativa segue o ritmo de uma novela. Além disso, conta uma história pra lá de batida: uma mãe ciumenta que não aceita ‘‘perder’’ o filho pela nora. Jessica Lange - que apesar da idade - continua em forma, interpreta uma mãe obsessiva que tenta de todas as maneiras destruir a vida da nora (Gwyneth), após o casamento com seu filho Jackson Baring (Johnathan Schaech), que atuou em ‘‘Colcha de Retalhos’’ e ‘‘The Wonders - O Sonho não Acabou’’. O sadismo de Jessica Lange vai às raias da loucura, mas não chega a assustar o telespectador porque tudo é muito previsível e superficial.
Alfred Hitchcock dizia que ‘‘um trilher é bom como seu vilão’’, pois é justamente isso que falta em ‘‘Segredo de Sangue’’. A vilã interpretada por Jessica Lange não convence, demonstrando como uma boa atriz pode render pouco nas mãos de um diretor pouco exigente e experiente. Mas se o filme merece nota cinco, deve ter algo que vale a pena. Na verdade, é um bom divertimento, porém, totalmente esquecível. Os cenários são luxuosos e, o elenco, apesar de mal aproveitado, merece atenção. ‘‘Segredo de Sangue’’ tenta discutir a teoria freudiana de que ‘‘as famílias são construções imaginárias e cada membro tem diferentes visões dela’’, mas naufraga na intenção. Lançamento da Columbia TriStar. Duração: 90 minutos.DivulgaçãoJessica Lange e Gwyneth Paltrow: guerra entre sogra e nora com muitos lances, mas pouco mistérioCelso Mattos

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