Suspense e beijos mortais
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sexta-feira, 28 de novembro de 1997
Marden Machado Especial para a Folha2 
ReproduçãoCena de Beijos que Matam: filme em clima de suspense não dispensa clichêsNão se deixe levar pelas aparências. Beijos Que Matam (Kiss the Girls - EUA 1997), lançamento nacional desta sexta (em cartaz em Curitiba, Londrina e Maringá), apesar de ter o mesmo ator principal, Morgan Freeman, e uma trama de suspense policial, guarda algumas semelhanças com Seven - Os Sete Crimes Capitais, porém, são apenas semelhanças. Essencialmente, os dois filmes são bem diferentes.
Segundo filme dirigido por Gary Fleder (o anterior foi Coisas Para se Fazer em Denver Quando Você Está Morto), Beijos Que Matam conta a história do psicólogo e investigador Alex Cross (Freeman), um detetive de aguçado poder dedutivo que trabalha para a polícia de Washington há mais de 20 anos, sempre resolvendo seus casos sem se importar com os nomes das vítimas. De repente, ele se vê forçado a deslocar-se para Durham, uma pequena cidade do interior da Carolina do Norte, para investigar o desaparecimento de sua sobrinha, Naomi. Lá chegando, descobre que ela é apenas mais uma em um grupo de oito garotas que sumiram nos últimos meses. Dois corpos aparecem e um deles traz um estranho bilhete assinado por Casanova.
O filme não escapa do clichê fácil do detetive esperto da cidade grande que entra em choque com a polícia do interior. Porém, isso não atrapalha e chega até a ser coerente com a personalidade de Alex Cross, um homem de poucas palavras e extremamente seguro de suas ações. As coisas começam a mudar, e para melhor, quando uma médica local, também vítima do misterioso Casanova, consegue escapar. A doutora Kate McTiernam é interpretada por uma bela e talentosa atriz em franca ascensão, Ashley Judd (a esposa do advogado em Tempo de Matar e a filha drogada de Cortina de Fumaça). Somente ela, com as informações que tem, poderá ajudar Cross a salvar sua sobrinha e as outras garotas.
Com um orçamento de 30 milhões de dólares, algo bastante modesto para os padrões hollywoodianos, Beijos Que Matam foi um dos filmes mais rentáveis da safra de lançamentos do último outono americano, tendo faturado mais 60 milhões desde o início de outubro, quando foi lançado nos Estados Unidos. Mesmo contendo algumas falhas de narrativa no roteiro, o filme de Fleder funciona, principalmente graças ao par central de atores, Freeman e Judd, que consegue transmitir autenticidade às suas personagens. Seven teve nota dez. Beijos Que Matam merece um honroso sete.


