Túnis - Portas coloridas, arredondadas, com um quê de castelo medieval. Casas brancas, às vezes decoradas com azulejos de estampas mouriscas. A perfeição do cenário faz com que Sidi Bou Said, povoado vizinho a Túnis, pareça uma cidade cenográfica. Nada disso: é só o começo de seu tour pela Tunísia, no qual surpresas se acumulam pelo caminho.
Percorrer esse país do norte da África realmente pode ser comparado a acompanhar de perto uma produção cinematográfica. Não só porque George Lucas usou vários pontos de seu território como locação da série ''Star Wars''. Se a Tunísia fosse filme, seria do tipo que começa interessante o suficiente para prender você diante da tela. E, com o desenrolar da trama, vai ficando cada vez melhor.
As primeiras cenas são em Túnis, a capital, metrópole de grandes avenidas, hotéis luxuosos e a primeira medina - cidade antiga, onde se concentra o comércio - das muitas incluídas no seu tour. Lá também é o ponto de chegada do voo do protagonista - no caso, você -, depois de uma conexão, provavelmente em Paris. Ao seu lado, europeus ávidos por relaxar nos resorts all inclusive às margens do Mediterrâneo.
Você, no entanto, escolherá outro roteiro. Que pode ter elementos épicos como as batalhas de Cartago e Roma. Ou as lutas de gladiadores em El Jem, espécie de Coliseu local. Ao passar pelas ruínas - sete delas declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco - de várias civilizações, a tela ganha flashbacks de invasões, guerras e conflitos que moldaram a Tunísia atual.
No cenário contemporâneo, o país exibe uma mistura de tradições islâmicas e hábitos do mundo não-muçulmano. Há turistas que abusam dessa tolerância e andam de minissaia nas medinas. Não é para tanto. Mas é comum ver grupos de mulheres, até da mesma família, em que algumas cobrem a cabeça com lenços e outras exibem os cabelos.
Reflexo da abertura trazida por Habib Bourguiba, que assumiu o poder logo após o país se tornar independente da França, em 1956. Sob seu comando as mulheres ganharam direitos: estudam, trabalham e integram o parlamento. O francês virou idioma obrigatório nas escolas e, hoje, quase toda a população fala a língua. Bourguiba, já doente, acabou deposto em 1987. Zine Abdine Ben Ali assumiu e reelege-se sistematicamente desde então. Para os tunisianos, simples reflexo de um bom governo.
Tâmaras
O filme segue e você, claro, sente vontade de beliscar algo enquanto assiste ao desenrolar da trama. Em vez de pipoca, escolha degustar tâmaras frescas ou o brik, um pastel que pode levar diversos recheios, mas um é obrigatório: um ovo inteiro. Ou ainda saborear os ''dedos de Fátima'', semelhantes a rolinhos primavera. Deliciosos.
Não poderia haver melhor local para o final feliz que o Deserto do Saara. Observar o nascer do sol dourando as areias até onde a vista alcança faz tudo que havia encantado até então ficar sem importância. Como nas cenas em que a câmera congela o que está ao redor do ator, que ouve apenas o próprio coração bater.
Coisa digna de Oscar. É pena que, neste caso, vai ser difícil você assistir a uma reprise. Ao menos tão cedo.
Mosaicos
Quem vai a Túnis precisa conhecer a coleção de mosaicos romanos do Museu do Bardo, um ótimo começo para o turista na Tunísia. As peças foram retiradas de sítios arqueológicos que o visitante vai ver durante a viagem e enfeitavam o piso de residências luxuosas.
Há exemplares imensos, como o Triunfo de Netuno, de 70 metros quadrados. E joias cuidadas com esmero, como o Mosaico de Virgílio, do século 3, no qual o poeta aparece entre musas na criação de Eneida. A peça que você mais verá reproduzida pelo país, de ímãs de geladeira a painéis, é Ulisses e As Sereias, do ano 260.

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