Surpresa no Filo: poltronas numeradas
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segunda-feira, 19 de maio de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Os seus problemas acabaram. Se você é daqueles que ficam fulos da vida ao enfrentar filas de dobrar o quarteirão, durante o Festival Internacional de Londrina (Filo), achando que o pior ainda pode acontecer, infelizmente tem razão. Nessas horas, não é só chuva que vem de cima - um ataque aéreo de um pombo em apuros também. Porém, a solução finalmente chegou: na edição comemorativa dos 40 anos do evento, as poltronas dos teatros Ouro Verde, Zaqueu de Melo e Marista serão numeradas.
A decisão assumiu o palco de uma discussão antiga na cidade entre os apreciadores da arte teatral. Principalmente os do Filo, alguns dos quais ficavam indignados por chegar cedo às principais salas de apresentações e acabavam sobrando lá na última fila de cadeiras, atrás de um cabeção para atrapalhar ainda mais. Tudo isso, depois de sobreviver a um verdadeiro estouro de boiada na hora em que as portas abriram.
No Ouro Verde, os preços dos ingressos para a platéia e mezanino serão diferenciados e no Zaqueu de Melo e Marista não haverá diferença. Os valores ainda não foram definidos. Porém, a venda de poltronas numeradas não garante um lugar nas salas de apresentações do Filo aos que deixam para comprar os ingressos na última hora. É tradição do festival, os bilhetes dos principais espetáculos esgotarem nos primeiros dias de venda.
Para não ficar chupando o dedo na edição comemorativa dos 40 anos, vale lembrar que a bilheteria será aberta dia 22 de maio, no Royal Plaza Shopping. ''A venda de ingressos com poltronas numeradas agilizará as filas nas portas dos teatros. Outro detalhe é que até o ano passado, no Ouro Verde, o preço dos ingressos era único tanto para a platéia como o mezanino. Com a mudança, as pessoas terão opções de lugares na hora de comprar os bilhetes'', afirma o diretor do Filo, Luiz Bertipaglia, ressaltando que a numeração das cadeiras no festival é uma experiência.
Bertipaglia acredita que a numeração das poltronas solucionará a reclamação sobre o tempo de espera fora das salas. ''Vamos tentar abrir os teatros alguns minutos antes. Porém, há espetáculos em que os atores começam a encenação no palco e a entrada do público antecipadamente poderia prejudicar a peça. Isso é uma questão técnica que tentaremos resolver com as companhias'' explica.
Para comprar os ingressos no novo sistema, o público escolherá os lugares a partir de um mapa - o que pode demorar um pouco mais. A organização do festival está atenta a isso e deve aumentar o número de guichês na bilheteria.
Apenas no Ouro Verde, a numeração das cadeiras foi implantada em março e os que assistiram, recentemente, à produção da Broadway, ''O Mágico de Oz'' contaram com o conforto.
''Incluímos a norma nos contratos para os que locam o Ouro Verde. Algumas pessoas reclamam da mudança, mas também há os que acharam a idéia maravilhosa. As cadeiras numeradas possibilitam que as pessoas possam escolher lugar e garantir onde querem sentar no teatro, tanto do ponto de vista visual, como acústico. Muitos levam em consideração somente uma poltrona que dê melhor visão para o palco, mas é importante também buscar uma melhor localização acústica'', comenta a diretora da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Janete El Haouli.
Uma outra mudança que deve ocorrer no Ouro Verde, teatro com 853 lugares, deve ser a implantação da bilhetagem eletrônica. ''O novo sistema permitirá ao público comprar ingressos pela internet. O investimento não será alto. Precisamos cuidar do teatro, que completará 30 anos em julho'', destaca Janete, acrescentando que o orçamento para a compra ainda não foi feito e que os recursos poderão vir da própria universidade ou através da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UEL, que poderá buscar verba na iniciativa privada.
No Filo, o Marista terá cadeiras numeradas, mas, fora essa programação, o restante depende do interesse do contratante. Alessandro Bisikirkas, assistente de Promoção Cultural do Teatro Marista, explica que existem locatários do teatro que preferem abrir mão das cadeiras numeradas - o que encareceria a produção do espetáculo.
''Na hora da venda dos ingressos, as pessoas querem olhar o mapa. Às vezes, isso demora. No lugar de apenas um vendedor de ingressos é necessário pelo menos dois ou três para agilizar a venda, o que encarece a produção'', afirma Bisikirkas, acrescentando que o contrato do Teatro Marista determina que as portas da sala devem abrir 40 minutos antes do início da apresentação.
Se teatro pode ter cadeiras numeradas porque cinema não pode? A gerente do Multiplex Catuaí, Simone Cestari responde: ''A idéia já foi cogitada para os cinemas londrinenses, atendendo uma solicitação do público, mas não tem nada previsto. Acho que numerar as poltronas, principalmente em dias de grande movimento, aumentará as filas. Uma mudança nesse sentido dificultaria o trabalho nos guichês'', afirma Simone.
Difícil, mas não impossível já que o Cine Araújo, empresa que administra o Multiplex Catuaí, considerada a terceira maior rede de cinema do Brasil, criou as primeiras salas vips do País em São José do Rio Preto (SP). Nessas salas realmente os seus problemas acabaram. Não vai ter cabeção no mundo que atrapalhe a visão, já que as poltronas, além de numeradas, têm 90 centímetros de largura, sendo totalmente reclináveis e com apoio para os pés.
Um dia a gente chega lá... os vips, em São José do Rio Preto, têm à disposição taças de vinho espumante e canapés variados. O preço pelo tratamento especial, nos finais de semana, numa promoção da empresa em que todos pagam meia entrada, é de R$ 14 nas matinês e R$ 16 para as sessões noturnas.


