Surpresa no ar
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terça-feira, 14 de abril de 1998
Jackeline Seglin 
Dorico da SilvaStênio Garcia: depois de 20 anos de afastamento, eu e o Fagundes ficamos assanhados com o convite para voltar a fazer Carga PesadaQuem não se lembra das aventuras dos caminhoneiros Pedro e Bino percorrendo os quatro cantos do País? Os saudosos fãs podem ter uma surpresa no ano que vem. O seriado Carga Pesada, que há 20 anos era apresentado na Rede Globo, pode voltar ao ar em 1999. Quem também está torcendo por isso é o ator Stênio Garcia, que interpretava o Bino na produção da década de 70.
De passagem por Londrina, onde gravou um comercial de uma rede de atacado para a televisão, Stênio Garcia deu entrevista à Folha2 e contou que a perspectiva de retorno de Carga Pesada foi reacendida com uma propaganda que ele fez recentemente com Antonio Fagundes para uma fábrica de caminhões. Depois de 20 anos de afastamento, eu e o Fagundes ficamos assanhados com o convite da Globo, assume. Segundo o ator, a dupla está animada para voltar ao seriado. A possibilidade é grande. Já fomos consultados pela direção e até o autor que faria a supervisão já foi escolhido, o Agnaldo Silva. Mas com a morte do Paulo Ubiratan - diretor de teledramaturgia da Globo - pode ser que alguma coisa mude.
A nova versão do Carga Pesada vai trazer novidades. Nesses 20 anos, muita coisa mudou, como o processo todo da vida. Existe a possibilidade de gravarmos o programa em várias cidades do Brasil, abrangendo fatos atuais como os sem-terra, o código de trânsito... Fora isso, temos ainda um acervo de 20 anos de imagens antigas da primeira versão do Carga, que poderão ser usadas agora.
Stênio Garcia, que está de férias até o final do mês, volta a trabalhar na Globo em maio. Só aí vai saber no que vai dar toda essa expectativa. Foi um momento muito importante das nossas vidas. Nós escrevíamos o texto, gravávamos e representávamos uma classe significativa no país, que são os caminhoneiros. Até hoje trazemos resquícios daquela época. Ainda gravo de dois a três comerciais por ano voltados aos proprietários de caminhões. Na estrada, os caminhoneiros fazem festa quando encontram a gente... Será muito legal voltar.
Toda a expectativa dessa carga pesada está impedindo que Stênio Garcia assuma outros trabalhos. Ele tem que ficar à disposição da Globo, que pode chamá-lo para uma ponta ou até mesmo para o elenco de uma próxima novela. Mesmo assim, o ator não perde tempo. Agora, em suas férias, está em temporada com o espetáculo Michelângelo, em Curitiba. Trata-se de uma produção local com Stênio e a mulher dele, a atriz Márcia Barros, contracenando com atores da cidade. Aproveitei meu mês de descanso, após três anos, e aceitei essa proposta com grande prazer. Principalmente porque é uma descentralização da produção cultural do eixo Rio-São Paulo, uma de minhas batalhas, diz.
O espetáculo Michelângelo, dirigido por Wladimir Ponchirolli, fica em cartaz até domingo, no Guairinha. Para o ator, que está completando 40 anos de carreira em teatro, a experiência com os atores paranaenses foi importante. É uma integração renovadora tanto para eles quanto para mim, observa. A idéia de Garcia é voltar a apresentar Michelângelo mais tarde. Por hora, ele tem que voltar ao Rio de Janeiro, mas sua intenção é viajar com o espetáculo por várias cidades do País.
O próximo trabalho de Stênio Garcia no teatro já está definido. Em junho, ele começa a ensaiar uma peça baseada no livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago; com Suzana Fayni, Márcia Barros, Tuca Andrada e direção de José Possi Neto. Inclusive podemos ter a participação do próprio Saramago no processo, comemora. A previsão de estréia desta montagem é setembro, em São Paulo.
Em televisão, Stênio Garcia está dando um tempo às novelas. Mas ele não deixou a telinha de lado. O ator está fazendo um programa educativo da TV Futura, além de duas produções - já gravadas - para a Rede Globo: a minissérie Hilda Furacão, que deve ir ao ar em junho, e um episódio da série Mulher, que será apresentado em breve.
Já para o cinema, Garcia tem dois filmes em processo final de montagem/mixagem. Um deles é O Menino Maluquinho II, sequência do filme de 94 baseado no livro homônimo do cartunista e escritor Ziraldo, no qual o ator interpreta o avô maluquinho. A outra produção é Hanz Staden, que conta a história de um alemão prisioneiro de índios antropófagos do litoral de São Paulo, que, com o tempo, acaba se tornando amigo dos nativos. Eu não vou fazer o Hanz, claro, porque ele é alemão. Meu papel é de um índio, brinca.
Fora essas duas produções, Stênio Garcia tem ainda em mãos um roteiro de um filme com produção curitibana. Mas por enquanto não tem nada acertado, frisa.
Aos 64 anos de idade (vai fazer 65 no dia 28 de abril), o capixaba Stênio Garcia não esconde sua vontade de voltar a se apresentar no Paraná. Ele relembra a época em que se apresentou em Londrina com Francisco Cuoco e Cleide Yácones, num barracão improvisado com cadeiras de cervejaria. Isso foi na década de 60. E foi legal, porque vim pra cá como pioneiro, brinca. Agora sei que Londrina tem teatro e um festival internacional importante. E minha intenção é me apresentar aqui em breve.


