O mundo é louco. Desde a origem das coisas até o possível fim delas, tudo está envolto em mistérios e especulações. A bíblia cristã, por exemplo, tem uma série de profecias sobre o fim dos tempos, o chip da besta, o arrebatamento, o juízo final. Outras civilizações também já fizeram previsões proféticas para o futuro, a mais famosa em 2012, quando segundo o calendário Maia o mundo acabaria. Até mesmo a própria ciência já fez previsões perturbadoras, como o bug do milênio em 1999, a crença era de que os computadores seriam dizimados pelo chamado YK2 Bug, uma espécie de defeito dos sistemas operacionais que, felizmente, era um problema mais simples do que se imaginava.

Na história em quadrinhos, criada em 2012, Asterix e Obelix disputam uma corrida de bigas com o vilão Coronavírus, cujo fiel escudeiro se chama...Bacilus
Na história em quadrinhos, criada em 2012, Asterix e Obelix disputam uma corrida de bigas com o vilão Coronavírus, cujo fiel escudeiro se chama...Bacilus | Foto: Reprodução
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Se as religiões e até a ciência fazem previsões, na literatura não seria diferente, ainda mais, com toda a liberdade das ficções de criarem histórias fantásticas ou inspiradas na própria realidade. Uma das literaturas com gosto de profecia mais famosa é o livro "1984" de George Orwell, o enredo apesar de ficcional fala sobre política e controle, no qual toda uma sociedade é controlada pelo Big Brother (O grande irmão), um tipo de sistema eletrônico de segurança que limita a privacidade dos cidadãos - "1984" é considerado por muita gente uma obra que previu em 1949, quando foi lançado, a realidade atual, com todas as câmeras, smartphones, computadores, internet e algoritmos.

Este ano o mundo todo foi abalado por uma notícia: uma epidemia do novo coronavírus na China - até o momento mais de 80 mil pessoas já foram infectadas no país. De algum jeito os quadrinhos criados com texto de Jean-Yves Ferri e desenhos de Didier Conrad em 2017 para o álbum "Asterix e a Transitálica" tentaram avisar: na história, Asterix e Obelix enfrentam o vilão Coronavírus na Itália, país que coincidentemente é o mais afetado pela doença na Europa, com mais de 7 mil casos e 366 mortes, anunciadas até domingo (8).

Jean-Yves Ferri e Didier Conrad assumiram as publicações de Asterix em 2012. A HQ foi criada em 1959 por uma dupla inesquecível: Albert Uderzo e René Goscinny. Na história que "antecipa" o coronavírus o vilão é um mascarado que disputa uma corrida de bigas, atrativo criado para abafar um escândalo de corrupção, coincidentemente seu fiel escudeiro se chama Bacilus.

O livro "The eyes of darknes" (1981) também parece antecipar o corona com coincidências impressionantes
O livro "The eyes of darknes" (1981) também parece antecipar o corona com coincidências impressionantes | Foto: Reprodução

"The eyes of darknes" (Os olhos da escuridão), escrito pelo norte-americano Dean Koontz, é outro romance que também parece ter previsto o corona. O livro é bem mais antigo que o os quadrinhos de Ferri e Conrad, foi escrito em 1981 e um dos trechos cita uma arma biológica chamada Wuhan-400, a arma teria sido criada em um laboratório perto da cidade de Wuhan, justamente a região chinesa que apresentou os primeiros casos da epidemia. Um outro ponto que torna o senso profético do romance norte-americano ainda mais real é a coincidência com o nome do cientista responsável por transportar o vírus no livro: Li Chen - o mesmo nome de um cientista da vida real, autor de vários estudos sobre a classe do vírus.

As coincidências literárias e as previsões do coronavírus estão circulando e abalando as redes sociais, só no primeiro post do Twitter sobre a obra "The eyes of darknes" foram centenas de curtidas, comentários e reposts. Mas no meio de tanta informação, de novos casos da doença sendo notificados, inclusive no Brasil, e desta atmosfera de histeria coletiva se abre um espaço para as fakenews, como a de que um episódio dos Simpsons também teria previsto a emergência do corona, no entanto, a imagem do desenho animado que circula na internet foi manipulada digitalmente.

Prevista ou não, a epidemia de um vírus vindo da China para o mundo é real - nada de pânico, mas também nada de subestimar a gravidade do problema. As precauções e cuidados são importantes e de fato podem evitar o desenvolvimento da doença.

Supervisão: Célia Musilli

Editora da Folha 2

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