Supla, irreverência e rock
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

Quando Supla começou na música, lá nos idos da década de 80, o que importava era o presente. Planos a longo prazo, talvez, nem passassem pela cabeça do jovem punk. O fato é que o cantor e compositor continua em evidência três décadas depois. Tanto que estreou turnê por várias cidades em comemoração aos 30 anos de carreira e Londrina entrou na rota. O cantor desembarca na cidade para uma show que vai relembrar seus maiores sucessos. No repertório, músicas como "Garota de Berlim", "Humanos", "Encoleirado", "Green Hair" (Japa Girl), "Charada Brasileiro" e alguns covers surpresas. Ainda no palco será tocada de forma inédita a música "Parça da Erva" e "Diga o que Você Pensa" do seu primeiro álbum solo em 10 anos. Este último single, inclusive, dá o nome ao disco que será lançado em março do próximo ano. "É um show bem divertido, mas que vai fazer a galera pensar. Poder cantar essas músicas que eu não cantava faz tempo é bem divertido. E algumas delas ainda fazem muito sentido para mim", diz. O show acontece hoje, às 23 horas, no Oficina Bar.
Para a turnê de 30 anos, Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy, conhecido por seu bordão "Papito", conta que vai trazer uma banda da pesada para acompanhá-lo. Formada por Baboom (baixo), Bruno Luiz (guitarra), Camila Lordy (teclados) e Edgard Avian (bateria) ele garante que, juntos, farão uma combinação explosiva para incendiar a plateia. Aliás, essa é uma das marcas dele, que, definitivamente, não passa despercebido. E nem parece querer, seja para fortalecer um personagem já foi até boneco da Estrela ou sua imagem de punk rebelde, tendo as declarações mais provocativas em entrevista à FOLHA. E a receita ou performance tem dado certo; com aparência e comportamento irreverentes, se mantém firme sob os holofotes da mídia nos últimos anos. Antes do show Supla lança, no Maximo Villa, seu primeiro livro "Crônicas e Fotos do Charada Brasileiro", escrito por ele, o qual espera que inspire as pessoas a seguirem os seus próprios caminhos.
TRAJETÓRIA
Supla começou a carreira aos 14 anos de idade tocando bateria na banda "Os Impossíveis". De lá para cá passou pelas bandas "Metrópolis", "Tokyo" (banda dos anos 1980 que revelou o cantor) e "Psycho 69" (banda de Nova Iorque). Seguiu carreira solo e também firmou dupla com o irmão, João Suplicy, a Brothers of Brazil, com boa repercussão, principalmente da crítica especializada. Em sua trajetória artística, Supla gravou 44 clipes e 200 músicas; lançou 16 discos e realizou mais de 1.800 shows por todo o mundo, além de levar a música brasileira para a Europa e Estados Unidos. Foi com o álbum "Charada Brasileiro" (2001) que o músico vendeu mais de um milhão de cópias. Entre uma música e outra, parece também ter gostado da ideia de participar de reality shows, como o "Papito in Love", programa que encerrou a segunda temporada no ano passado.
Confira a entrevista exclusiva à FOLHA
Você está saindo em turnê de 30 anos de carreira. Quem é o seu público de hoje?
Todo tipo de gente, várias gerações. Como você disse: são 30 anos.
Você está prestes a lançar seu primeiro álbum solo. O que mudou do que já produziu até aqui?
O que mudou foi a forma de compor. Quase todas as letras foram feitas com minha amiga Tatiana Prudêncio e as músicas foram feitas no violão. Entrei no estúdio com as canções já bem cantadas apenas com a viola, gravei com um metrônomo e fui arranjando música por música. Eu e meu amigo Kuaker tocamos quase todos os instrumentos (bateria, guitarra, violão, teclado, programações de bateria, percussão) e o resultado ficou muito bom para o meu gosto. Já tenho dois vídeos prontos na gaveta prontos para lançar que se chamam "Amigo" e "Anarquia Lifestyle".
Em que pé está o projeto musical "Brothers of Brazil" com seu irmão? Ainda há planos de retomá-lo?
Criativamente estamos parados. Temos mais um show para cumprir tabela. Sim, podemos retomar quando a hora chegar. Foram 3 álbuns, mais de 500 shows fora do Brasil, contrato verdadeiro com uma gravadora de respeito na América e tocamos nos melhores festivais do mundo. Não podemos reclamar. Mas agora cada um faz o seu. Me perguntaram se tínhamos brigado. Eu respondi: a banda começou já discutindo. Somos irmãos, porra. Cada um diz o que pensa. haha
Por que você participa de programas de reality show? De que forma isso agrega em sua carreira artística ou musical?
Fiz o primeiro reality do Brasil, a Casa dos Artistas. Vendi um milhão de CDs....tá ruim pra você?
Depois de 7 anos nos Estados Unidos, voltei ao Brasil e comecei a aparecer na mídia e na MTV com meus clipes que eram zoados pelo Marcos Mion. Então, aproveitei para me relançar no Brasil, com CD nas bancas totalmente independente e virei até boneco da Estrela.
Já o programa "Papito in Love" na nova MTV foi ideia minha que eu vendi para eles (e fui bem pago). Vou achar um amor num programa desses? Sim! Por que não? Tudo nessa porra agora é virtual: snapchat, Facebook. Ao mesmo tempo, toda trilha sonora do programa eram músicas do Brothers e de trabalhos meus. Sendo assim, vejo que agregou. Foi mais uma forma de divulgar o meu som para uma nova geração. Lembre-se: fiz 50 anos de idade. E é bom ir renovando o público. O Papito acaba misturando atuação com realidade, mas não é armação, de jeito nenhum. Eu faço um personagem "Supla Elvis" que pode facilmente se apaixonar.
Dizem que a música "Rebelde sem causa", do Ultraje a Rigor, foi feita em sua homenagem. Você se considera um rebelde sem causa?
Nunca ouvi esta afirmação. Já fiz uma parceria com o Roger do Ultraje que se chama "Encoleirado". Mas você quer me tirar. Se você me pergunta uma b... dessa você tem que estar preparada para escutar. Qual a sua intenção? Para ser rebelde tem que vir de uma família sem sobrenome? Eu não posso me sensibilizar com as coisas que acontecem ao meu redor? Moro no centro de São Paulo, estou ligado em várias ocupações e tretas da cidade, acredito que meu pai já deu várias demonstrações de humildade que duvido (sem nem te conhecer) que você já tenha dado, mesmo sendo rica ou pobre. Faço o meu corre e por isso que estou aí ate hoje.
Você ainda se considera punk?
Sou um rock'n'rolla brasileiro com influência de vários estilos. E lógico que tem punk.
Como é ser underground no exterior e filho da Marta e do Suplicy no Brasil?
Um dos motivos que larguei uma carreira aqui no Brasil foi de não ter de lidar com esse papo de ser filho de político. Cada um responde pelos seus atos.
Quem você acha que é o expoente do punk rock atualmente? Qual som você anda escutando?
Por que você não faz uma pergunta mais abrangente? Quem musicalmente tem atitude, bom gosto e é verdadeiro nas suas músicas? Aí eu respondo: Nina Simone (Greates hits), Leonard Choen (Popular Problems), Test, Pil (What the World Needs Now), Eduardo (A fantástica Fábrica de Cadáver), La Roux e, com certeza, alguma banda numa garagem que eu não conheço deve estar fazendo um som decente.
Fale um pouco do seu livro. O que o motivou a escrevê-lo?
O que me motivou foi ter completado 50 anos de vida e 30 anos de carreira. Eu mesmo escrevi e espero que inspire as pessoas a seguirem os seus próprios caminhos. O percurso é você quem faz para se encontrar; liberdade aos pensamentos que não querem mais se calar. Em tempos como esses é fácil de se perder; em tempos como esses não é fácil de se viver. Não importa aonde esteja, não importa a situação que seja, diga o que você pensa.
Em qual candidato ou partido você vai votar para prefeitura de São Paulo?
Na minha mãe. Que saco de pergunta. Dentro desses candidatos ela é a mais preparada. Bilhete único, Centro Educacional Unificado, corredor de ônibus, só para citar algumas coisas. Ela já é uma senhora, mas, pelo jeito, quer deixar uma coisa boa para população. Mick Jagger está com 70 e pouco e ainda rebolando bem. Ela tem o direito também. Viva as mulheres!
Serviço:
Supla Turnê de 30 anos
Quando: Hoje, às 23 horas
Onde: Oficina Bar (Prefeito Faria Lima, 1380)
Quanto: R$ 40 (antecipado) e R$ 50 (na hora). Serão vendidos apenas 180 convites
Lançamento do livro " Crônicas e Fotos do Charada Brasileiro"
Quando: Hoje, às 19h30
Onde: Bar Maximo Villa (Rua Paranaguá, 933)
Quanto: Entrada livre


