Curitiba A supervisora-geral da Escola do Balé Bolshoi, em Joinville, Jô Brasca Negrão, se afastou ontem das atividades administrativas da instituição pelo prazo de 30 dias. Nesse período, o Conselho Fiscal da escola pretende ter esclarecido as denúncias do Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual de irregularidades na administração da escola. De acordo com ação movida em outubro de 1999, e mantida em sigilo por causa das investigações da Polícia Federal, o superintendente da escola João Prestes é acusado de desvio de verbas destinadas à instituição.
O caso veio à tona em reportagem exibida pelo Fantástico no último domingo. Na matéria, o procurador da República David Lyncon acusa Prestes e a mulher dele, Jô Brasca Negrão, de estarem enriquecendo ilicitamente com a primeira escola do Teatro Bolshoi fora da Rússia. Em nota oficial emitida ontem, o Conselho de Administração e Fiscal da Escola diz que a reportagem foi ''precipitada'' e que as atividades pedagógicas serão mantidas normalmente.
A informação confronta com argumento do próprio Prestes, de que a escola pode fechar por causa do escandâlo. ''O Teatro Bolshoi na Rússia está fazendo um ato de boa vontade com o Brasil e há um entendimento de que é melhor encerrar o projeto do que se ver envolvido numa questão assim'', disse ontem, por telefone, à Folha. Segundo ele, o fechamento da instituição vai depender do andamento das investigações. Os advogados dele estão reunidos desde anteontem para traçar a estratégia de defesa, mas o empresário preferiu não divulgar o contato com os advogados, antes de ter decisões concretas sobre o caso.
De acordo com informações do Ministério Público Federal, em Florianópolis, que está centralizando as informações sobre a ação, uma ação cautelar foi movida pedindo a indisponibilidade de bens dos envolvidos, entre eles, o empresário filho mais velho do líder comunista Luiz Carlos Prestes. O empresário nega as acusações e disse estar sendo alvo de ''injustiça''.
O caso pode acabar numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A necessidade de abertura da CPI está sendo analisada pela Assembléia Legislativa de Joinville.

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