Curitiba - Se você é supersticioso, procure seu pé de coelho, figa, trevo de quatro folhas e todos os outros amuletos que achar necessário, porque hoje é sexta-feira 13. Para azar daqueles que temem o dia, 2004 terá duas sextas-feiras 13. E para a outra, daqui a seis meses, é prudente reforçar ainda mais as mandingas, pois além de brigar contra o ''azar'' do dia 13, será preciso assustar as bruxas do mês de agosto.
Ninguém sabe ao certo a origem desta crendice, que diz que a sexta-feira que cai num dia 13 é um dia de azar. Há versões na história do cristianismo e lendas da Escandinávia, mas poucos sabem apontar alguém que tenha realmente sido prejudicado em uma data dessas. Segundo o astrólogo João Acuio, para a astrologia a sexta-feira 13 é um dia igual aos outros. ''Essas lendas acontecem porque as pessoas são ligadas em superstições. Se você pensar assim: é sexta, 13, lua cheia, agosto. Pronto. Vai acontecer tudo com você'', diz.
A terapeuta holística Melissa Lara concorda. ''Vejo como um processo mental, que gera o que chamamos de egrégora. Ou seja, a mente é poderosa. Se você acha que vai ser um dia especial, ou que vai ser um dia ruim e de azar, vai gerar esta egrégora, alguma coisa relacionada ao seu sentimento'', explica. Como taróloga, ela lembra, ainda, que a carta 13 é a carta da morte. ''Mas não a morte física, mas a da transformação, que mostra que o velho acaba para algo novo nascer'', diz.
As bibliografias mostram que entre os cristãos a crendice vem do episódio da Última Ceia de Cristo. Segundo relatos bíblicos, participaram dessa ceia sagrada os 12 apóstolos e Cristo, somando 13 pessoas. Para piorar a situação, a crucificação e morte de Jesus também foi numa sexta-feira. Outro sinal de azar vem da antiga numeração hebraica, na qual os números eram representados por letras. A letra que indicava a quantidade 13 era a mesma usada para a palavra morte.
Há, ainda, duas versões que vêm da mitologia nórdica. Na primeira delas, Odin, chefe de uma tribo asiática, estabeleceu seu reino na Escandinávia. Para administrá-lo, celebrar os rituais religiosos e predizer o futuro, Odin teria escolhido doze sábios, reunindo-os em um banquete no Valhalla, morada dos deuses. Loki, o deus do fogo, apareceu sem ser convidado e armou uma grande confusão. Como invejava a beleza radiante de Balder deus do Sol e filho de Odin Loki fez com que Hodur o deus cego o assassinasse por engano. Daí teria vindo a crendice de que 13 pessoas reunidas para um jantar é desgraça certa.
Na outra versão da mitologia nórdica, a deusa do amor e da beleza era Friga, nome que deu origem à palavra ''friadagr'' (sexta-feira no idioma nórdico). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, a lenda conta que Friga se transformou em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio, e todos os 13 ficavam rogando pragas aos humanos.
O violeiro Luiz Rogério Gulin, conhecido como um dos melhores tocadores de viola caipira no Paraná conta que entre os violeiros também existe uma lenda envolvendo a sexta-feira. ''É o pacto da sexta-feira, não sei se é da Paixão ou do dia 13. Neste dia, quem quer aprender ou tocar melhor a viola deve ir ao túmulo de um violeiro e à meia-noite rezar três aves-maria e três pai-nosso, tudo de olho fechado. Diz que começa uma ventania e o espírito do violeiro vem estralar os dedos do aprendiz para que ele seja um bom violeiro. Já imaginou fazer tudo isso de olho fechado, à meia-noite e em um cemitério?'', questiona.
Mas mesmo os mais supersticiosos têm que concordar que sexta-feira 13 é sinônimo de sorte grande para Sean S. Cunningham, diretor do filme ''Sexta-Feira 13'', série que teve nove filmes e faturamento de US$ 235 milhões só nos Estados Unidos. Na história, é em uma sexta-feira 13 que Jason Vorhees aparece pela primeira vez na colônia de férias Lago Cristal, e começa uma sucessão de assassinatos.

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