São Paulo - A famosa história bíblica da arca de Noé virou uma superprodução cinematográfica que estreia hoje em cerca de 900 salas pelo país. Nos Estados Unidos, onde estreou na semana passada, "Noé", do diretor Darren Aronofsky (que fez "Cisne Negro"), conquistou o primeiro lugar nas bilheterias.
O ator australiano Russell Crowe dá vida a Noé, o homem que recebe de Deus a missão de construir uma arca para salvar um casal de cada espécie animal de um grande dilúvio, que teria como objetivo castigar a raça humana, que, com ganância e egoísmo, transformou o mundo em uma grande guerra.
"Noé é o escolhido por ser um homem bom. Deus sabia que iria completar essa difícil tarefa", explica Crowe. Fica nas mãos dele, porém, decidir se a raça humana será ou não extinta no novo mundo. "Mas a escolha não é dele. Ele é um servo de Deus", continua o ator.
Além de trabalhar duro para construir a arca, Noé, sua mulher Naameh (Jennifer Connelly), seus filhos Shem (Douglas Booth) e Ham (Logan Lerman) e a adotada Illa (Emma Watson) terão de enfrentar uma multidão que, com o início da chuva, tenta invadir a arca para sobreviver. Deixar que as pessoas morram, mesmo com espaço sobrando na arca, é o mais difícil para os personagens. E nesse momento surgem as cenas mais fortes do filme.
Para Crowe, que acredita que a história seja verdadeira depois de estudá-la e encontrá-la em várias religiões, o longa gera reflexão. "Estimula a discussão sobre o papel do homem. Para quem tem fé ou não."

PAIXÃO POR BICHOS
O astro Russell Crowe aceitou protagonizar "Noé" não apenas por ser uma superprodução de grande visibilidade. O ator revelou que se identifica bastante com o tema. "Darren Aronofsky é um ativista vegetariano, e eu amo os animais, tenho uma profunda conexão com eles."
Ele continua: "Acredito que a forma como olhamos os bichos explica a nossa sociedade. Se mudarmos o jeito que os tratamos, mudaremos também o modo como nos relacionamos", afirma.
Por isso, a história de um homem que salva os animais, criaturas puras, de um dilúvio que castiga a raça humana, o interessou tanto. O ator ainda afirma que filmar a história da arca de Noé sempre foi o sonho do diretor americano. "Ele escreveu um poema sobre Noé aos 13 anos e sempre sonhou com esse filme, mas teve que fazer produções menores até conseguir um bom orçamento para esse", conta Crowe, sobre o longa de US$ 125 milhões.
Crowe, no entanto, lamenta não ter contracenado com os animais. Eles foram todos inseridos digitalmente nas cenas. "Os animais digitais foram decepcionantes. Apenas o pássaro era real", conta ele que, em um momento do filme, faz um passarinho dormir com algumas ervas - que tinham o objetivo de manter todos os animais da arca desacordados enquanto durasse o dilúvio.
Para ele, a pior parte das filmagens foi a chuva ininterrupta durante a maior parte das cenas. "De 70 dias de gravação, foram 36 de chuva. No final, as gotas já pareciam socos", brinca o ator.

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