Nelson Sato
De Londrina
Tudo, ou quase tudo, de bacana na música pop vem da cena alternativa – mas nem tudo que vem da cena alternativa é bacana. Por mais que isso esteja na cara, muita gente (incluindo críticos) insiste em enaltecer qualquer chiado microfonado como sinônimo de qualidade, só por habitar os porões independentes.
A banda Superchunk é uma das muitas do circuito indie norte-americano que parece inatacável no Brasil. Seu novo álbum, porém, é de doer de tão ruim. Come Pick Me Up chega às lojas na próxima semana pelo selo mineiro Motor Music (o mesmo que lançou o último disco do Man or Astro-Man).
O CD celebra os dez anos da banda, que foi criada por Ralph MacCaughan (guitarra e vocais) e Laura Ballance (baixo) um ano depois da dupla fundar o selo Merge Records, pelo qual lançam seus próprios discos e de colegas de cena. Eles chegaram a assinar com o prestigiado selo Matador, pulando fora logo depois ao perceberam a filiação do selo à poderosa gravadora Atlantic.
Ao longo da década, conquistaram público e crítica com suas guitarras descontroladas e refrões adocicados. No ano passado, fizeram shows memoráveis no Brasil tocando inclusive em Londrina e Maringá. O novo trabalho, porém, traz a banda arrastando-se entre acordes desacelerados e melodias sem inspiração.
Disquinho furreca, útil apenas para engordar a coleção de fãs empedernidos.

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