Fernando Miragaya
TV Press
Às vésperas de completar 30 anos no ar, mais precisamente no dia 1º de setembro, o ‘‘Jornal Nacional’’ continua como o primeiro na audiência no horário – registra médias de 42 a 47 pontos. Mas a fórmula que mescla notícias com variedades e serviços, comandada pelos politicamente corretos William Bonner e Fátima Bernardes, torna o ‘‘Jornal Nacional’’ o telejornal com o mais fraco conteúdo da televisão brasileira.
Ao contrário do ‘‘Jornal da Band’’ e ‘‘Jornal da Record’’, o principal telejornal global peca pela total falta de aprofundamento das matérias exibidas. Geralmente rápidas, as reportagens dão uma noção superficial do fato, que acaba sendo pouco explorado. Quem assiste a uma matéria do ‘‘Jornal Nacional’’ tem sempre a sensação de que ficou faltando informação e mais detalhes sobre o assunto em questão.
Além de aprofundamento, as reportagens também carecem de uma carga opinativa e analítica mais aprofundada. Notícias, muitas vezes complicadas para o telespectador – principalmente as econômicas –, são jogadas no ar sem uma preocupação com quem a está assistindo. É claro que o telejornal não pode nem deve ser didático e altamente explicativo, mas uma mastigada da matéria facilitaria a compreensão de todos.
O grande número de reportagens de serviços e variedades também descaracterizou o ‘‘Jornal Nacional’’. Às vezes, o telejornal noturno mais parece um mix de ‘‘Fantástico’’ com ‘‘Jornal Hoje’’, repleto de dicas sobre aumento de preços ou matérias sobre comportamento, mais apropriadas para revistas eletrônicas. Esta nova ‘‘linguagem’’, aliás, foi um dos motivos da saída de Lillian Wite Fibe do comando do ‘‘Jornal Nacional’’.
Até o tom descontraído de Fátima Bernardes acaba lembrando Sandra Annemberg no comando do ‘‘Jornal Hoje’’, transmitindo uma impressão de informalidade que não cabe ao horário. Parece que, a qualquer momento, Fátima vai interromper o noticiário sobre o terremoto na Turquia para dar uma receita de torta de maçã.
Os apresentadores, aliás, também são responsáveis pela falta de identidade do noticiário. William e Fátima – nova edição do ‘‘Casal Telejornal’’ criado por Eliakim Araújo e Leila Cordeiro nos anos 80 – podem passar uma imagem de seriedade, competência e simpatia. Mas rostos bonitos não sustentam um telejornal. Os – escassos – comentários de William e Fátima não passam credibilidade e, às vezes, acabam incorporando um tom moralista que não condiz com o jornal.
Além disso, a saída de Cid Moreira da bancada do ‘‘Jornal Nacional’’ ainda hoje é sentida. Queiram ou não, o apresentador é a cara do ‘‘JN’’. Quem olha para aquele senhor grisalho – que agora passa pelo humilhante papel de bajulador oficial do mascarado Mister M no ‘‘Fantástico’’ – não consegue visualizar outra coisa que não seja o ‘‘Jornal Nacional’’.
Além de empatia, a imagem de Cid, que estava presente já no primeiro ‘‘boa noite’’ do ‘‘Jornal Nacional’’, em 1º de setembro de 1969, se confunde com o noticiário.
Obviamente, um telejornal não deve ficar estagnado por três décadas. Mas o problema do ‘‘Jornal Nacional’’ é a crescente falta de conteúdo. Nesse aspecto, o noticiário não lembra nem um pouco aquele que na década de 70 alcançou 80 pontos de audiência.
De lá para cá, as médias do Ibope foram caindo até chegar ao patamar atual. O telejornal continua sendo o mais assistido – estima-se que cerca de 75 milhões de pessoas o assistem diariamente. Mas, mesmo assim, a Globo deve ficar alerta. Não faz muito tempo que o dramalhão mexicano ‘‘Miramar’’ abocanhou uma boa fatia da audiência do ‘‘Jornal Nacional’’.
Em 1997, a novela exibida pelo SBT chegou a atingir quase 30 pontos e o mais importante telejornal da Globo acabou registrando o índice mais baixo de toda a sua história: 35 pontos. Vale lembrar que ‘‘A Usurpadora’’, outro enlatado ‘‘hecho en México’’ do SBT, já começa a chegar perto dos 20 pontos.No dia 1º de setembro o Jornal Nacional completa 30 anos de existência. Durante esse tempo, muitas mudanças, algumas ruins, aconteceram
Afonso Carlos/Carta Z NotíciasWilliam Bonner e Fátima Bernardes conduzem na base do ‘‘politicamente correto’’ o telejornal de maior audiência do Brasil

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