SUPERAÇÃO - Olhares Guardados abre nova temporada em Londrina
Um fotógrafo desembarca de trem num pequeno vilarejo. Na estação, encontra um músico, um escritor, uma costureira e um comerciante de antiguidades. Decide fotografá-los e, enquanto capta imagens, começa a estabelecer relações com os anfitriões.
É a cena de abertura do espetáculo teatral Olhares Guardados, que inaugurou temporada semana passada, no Teatro Filo (R. Cuiabá, 39) após estrear em junho no Filo (Festival Internacional de Londrina) e posteriormente impressionar plateias nas cidades de Salto e Bauru, ambas do interior de São Paulo.
O elenco da peça traz cinco atores deficientes visuais: Flávio Cordeiro da Silva, João Durval, Marcos Santos, Sebastião Narciso e Tatiane Quadros. No palco, eles usam o tato e a audição para se locomover numa passarela de borracha, interagindo com o cenário e adereços de cena. A sonoplastia contribui para orientá-los na atuação.
O texto é uma colagem de fragmentos de Sebastião Narciso, Adauto Novaes, Evgen Bavcar, Maurice Maeterlinck e Paulo Leminski. O elenco revela uma qualidade artística e uma capacidade de interpretação naturais a qualquer ator sem deficiência. O espetáculo mostra que basta oferecer as condições ideais de trabalho que a inclusão e a acessibilidade acontecem de fato, assinala Paulo Braz, criador, produtor e diretor da montagem. Novas apresentações nos dias 18, 19 e 21, sempre às 20h30.
● É um desdobramento do projeto Expressividade Cênica para Pessoas com Deficiência Visual, iniciado no Filo em 2003
● É a comunicação pelo som, abrangendo todas as formas sonoras música, ruídos e fala, e recorrendo à manipulação de registros de som





