Super-homem completa 60 anos
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segunda-feira, 13 de abril de 1998
Pedro Cirne de Albuquerque Agência Folha 
ReproduçãoSuper-Homem: herói vive momento de cissiparidade e divide as aventuras com um cloneDepois de morrer, ressuscitar e casar, o Super-Homem chega aos seus 60 anos com a maior mudança de sua carreira: dividido em dois. Desde o início do ano, os leitores norte-americanos têm acompanhado mais essa reviravolta a que o personagem foi submetido na década de 90. As suas duas metades são idênticas em quase tudo: eles têm os mesmos poderes e identidade secreta - pobre Clark Kent, nunca viveu tamanha crise de identidade.
A única diferença entre eles, além da cor do uniforme - que permite que eles saibam quem é quem - está no comportamento: o Super-Homem Vermelho é mais impulsivo, enquanto sua metade Azul tem o comportamento mais contido. Mas suas características são as mesmas: ele é um bom homem, que faz grandes ações com seus poderes e habilidades, sejam eles quais forem. É com isso que todos nós devemos nos identificar com ele, como sendo pessoas que sempre podem tentar fazer boas coisas com nossas próprias características disse Michael Joseph Carlin, ex-escritor das histórias do personagem e hoje editor-executivo da DC Comics, que publica as histórias do kryptoniano.
Tais mudanças, entretanto, refletem o momento em que estão inseridas as duas maiores editoras norte-americanas de quadrinhos: a DC, que também publica o Batman e a Mulher-Maravilha, e a Marvel Comics, dos mutantes X-Men e do Homem-Aranha. Na década de 90, com a grande concorrência entre os títulos de super-heróis e o surgimento de outra grande editora, a Image Comics, a Marvel e a DC passaram a investir em histórias sensacionalistas, mais radicais em relação aos personagens e atraentes do ponto de vista do leitor (sem entrar no mérito da qualidade das histórias). Assim, por exemplo, o Homem de Ferro se tornou um vilão quase invencível e para combatê-lo os seus amigos puxaram do tempo uma versão do herói 20 anos mais moço. O Homem-Aranha descobriu que era um clone dele mesmo, premeditando a ovelha Dolly. O Batman ficou aleijado, foi substituído por outro herói, mas voltou a andar em tempo de enfrentar seu substituto, que havia se tornado um vilão. O Super-Homem, apesar de ser o mais poderoso de todos os heróis, não conseguiu escapar dessa onda. Foi assassinado, ressuscitou (lógico, a editora ia desperdiçar um personagem com o apelo comercial como o do Super?), casou-se, ganhou o novo uniforme e, finalmente, dividiu-se, na mais espetacular cissiparidade da história das HQs. É isso o que torna o Super-Homem interessante, afirmou Carlin. Neste ano de comemoração, as mudanças começam agora em abril. Como presente ao leitor, as capas das revistas do mês serão pintadas por Alex Ross, grande nome das HQs, atual vencedor do Eisner Awards (o Oscar dos quadrinhos) de melhor desenhista, capista e minissérie por O Reino do Amanhã.
Os tributos à efeméride estarão distribuídas pelas cinco revistas mensais do kryptoniano, em que serão publicadas histórias nos estilos que prevaleciam no princípio das décadas de 40, 60 e 80. Haverá, ainda, uma história no estilo que, supõe-se, serão produzidas as HQs em 2099. Jerome Jerry Siegel e Joseph Joe Shuster, criadores do super-herói, levaram cinco anos para conseguir publicá-lo - os editores consideravam as histórias muito imaturas. Mesmo quando conseguiram uma revista que publicasse as histórias, o Super-Homem não podia aparecer na capa porque o editor considerava que seus poderes eram por demais fantasiosos, o que afastaria os leitores. Isso em 1938, quando o personagem tinha poucos poderes comparados aos de hoje - ele não voava e não tinha a dita visão de raios X, por exemplo. Hoje, o herói tem cinco títulos próprios saindo mensalmente nos Estados Unidos, além de aparecer na revista LJA, com as histórias da Liga da Justiça, e ter seu quinto longa-metragem para o cinema em preparação.


