ReproduçãoBlur: disco novo traz canções cruas e sujasQuando o grupo inglês Blur viaja para os Estados Unidos, seus integrantes costumam se hospedar nas casas dos caras do Pavement. E vice-versa. Foi assim nos dois últimos anos, em pleno auge da rivalidade promovida pela mídia pop em torno do rock produzido nos dois lados do Atlântico.
No começo, os próprios músicos pareciam encarar a lenga-lenga a sério. Depois, trataram logo de esquecê-la. Prova cabal disso é a troca de figurinhas entre as bandas lideradas por Damon Albarn e Steve Malkmus, que voltaram a estampar capas de tablóides musicais - desta vez para derramar mútuos elogios.
Com álbuns novos na praça, Blur e Pavement atormentam os tímpanos com guitarras cascudas. A diferença, entretanto, é gritante entre os dois trabalhos. Blur ressurge ‘‘americanizado’’ em seu álbum homônimo. Com pinta de gravação caseira, o disco reúne dissonâncias, microfonias e melodias da melhor safra de Malkmus.
Displicência Pavement, ao contrário, apavora seus fãs com uma sucessão de músicas sonolentas em Brighten The Corners. Blur abre com ‘‘Beetlebum’’, o primeiro single do disco e que parece soar mais Beatles do que os próprios.
ReproduçãoPavement: faixas sonolentas
Na sequência chovem feedbacks e vocais distorcidos por efeitos numa zoeira infernal que inclui até um trip hop mixado pelo guitarrista Thurston Moore (do Sonic Youth). As influências são flagrantes aqui e ali, notadamente de Beck em ‘‘Country Sad Ballad Man’’ e ‘‘I’m Just A Killer For Your Love’’; Flaming Lips em ‘‘You’re So Great’’; e Pavement na ruidosa ‘‘Song 2’’.
O disco já foi aclamado como uma obra-prima por alguns críticos. Já o novo álbum do Pavement, que também recebeu comentários elogiosos, passa longe disso. A displicência vocal, as melodias arrastadas e a chiadeira das guitarras continuam presentes - mas sem a criatividade e o vigor demonstrados em álbuns como Slanted and Enchanted e Crooked Rain, Crooked Rain.
Com exceção de ‘‘Passat Dream’’, que traz uma empolgante levada de baixo acompanhada de corinhos, o disco parece uma coleção de faixas ‘‘enche-linguiça’’. A inspiração, pelo jeito, foi sugada pelos amigos britânicos.

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