Os protestos ocorridos em diversos estados brasileiros, em junho de 2013, deixaram marcas profundas em Marcílio Moraes. Integrante dos mais ativos do movimento estudantil da década de 1960, o autor assume que ficou emocionado ao ver as imagens do povo na rua, protestando não só pela redução das tarifas de transporte público, mas por um Brasil menos corrupto.
A empolgação de Marcílio tem seu resultado exibido agora, às vésperas das eleições, com os 12 episódios da minissérie "Plano Alto". "O público tomou uma certa antipatia pela política e pelos políticos. Mas, no momento atual, o assunto está presente de tal forma que todo mundo se envolve. A discussão passou a fazer parte do cotidiano brasileiro como há muito não se via. É muito interessante abordar questões que estão 'quentes' ainda", ressalta o autor.
Com estreia prevista para terça-feira, a produção dirigida por Ivan Zettel tem seu ponto de partida nas manifestações do ano passado. E se desdobra para retratar a vida de Guido Flores, de Gracindo Junior, e seus descendentes. Ex-militante de esquerda, com passagem pela luta armada e vítima de tortura, Guido se torna um político de prestígio e bases fortes.
Atual Governador do Rio de Janeiro, seu nome é um dos mais cotados para o posto de candidato à presidência dentro de seu partido. "Na política, tudo pode mudar a qualquer momento. Meu personagem, apesar dos pesares, é um homem de intenções íntegras, mas alguém quer puxar o tapete dele", resume Gracindo Jr.
Na contramão de Guido, está seu filho, João, de Milhem Cortaz. Integrante das manifestações dos "caras pintadas" no início dos anos 1990 e atual Deputado Federal, João é do tipo que só luta em benefício próprio e tem pouquíssimo contato com o pai.
Entre os dois, está o jovem universitário Frederico, de Bernardo Falcone. Filho de João, de tanto não gostar de política, acaba integrando um grupo de black blocks. "Os três representam diferentes elos políticos e estão ligados pelo sangue. É uma história muito boa e contada com verdade", exalta Milhem Cortaz.
Perseguido pelo corrupto Deputado Estadual Papudo, de André Mattos, Guido acaba caindo em uma armadilha e precisará responder a uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que investigará desvios de verba das áreas de educação e saúde. No meio disso tudo, Guido sofre um AVC e fica entre a vida e morte no hospital. Comovido com a situação, mas prevendo tirar lucros políticos, João é influenciado por sua esposa, Julia, personagem de Daniela Galli, a ficar ao lado do pai e defendê-lo. "Política é saber perder e ganhar. É preciso sempre pensar à frente. Minha personagem é muito perspicaz nisso", revela Galli.
A dupla ainda conta com a ajuda de Melissa, de Camila Rodrigues, a esperta e sensual Chefe de Gabinete do Governador. "A Melissa sabe de tudo o que aconteceu. Dos podres e das benfeitorias. Ela, aos poucos, vai se revelando ao público", explica Camila.
Planejada desde o ano passado e com alguns atrasos de produção, "Plano Alto" foi inteiramente gravada nos meses de julho e agosto, quase toda em locações do Rio de Janeiro e nos estúdios da Record. A direção até tentou produzir algumas sequências no Congresso Nacional e na Câmara dos Deputados, em Brasília, mas não obteve a liberação. "Tivemos de recriar tudo em estúdio e usamos muita computação gráfica por causa dessa proibição. A temática da série mexe com coisas reais e acabou assustando", destaca Ivan Zettel.
Com elenco formado ainda por nomes como Paulo Gorgulho, Jussara Freire, Carla Diaz, Sandro Rocha, Floriano Peixoto e Victor Fasano, a minissérie foi orçada pela direção de teledramaturgia da emissora em R$ 550 mil por capítulo e guarda seus devidos ganchos para próximas temporadas. Tudo, é claro, dependerá da resposta do público. "Meu objetivo não é doutrinar o telespectador. Mas incentivá-lo a fazer uma reflexão sobre a política em um plano mais alto, como ela se desenvolve e quais são os fatores que estão em jogo", valoriza o autor.

"Plano Alto" – Estreia prevista para terça-feira, às 23h30, na Record

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