Suingue original e bem brasileiro
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sábado, 24 de fevereiro de 2007
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Ninguém soube dizer quando eles estiveram pela última vez em Londrina. Nem mesmo Bigode, o único remanescente da formação original. Mas quem se importa? O fato é que os Originais do Samba vieram a Londrina como convidados de honra do Carnaval. Na semana passada, cativaram os foliões até altas horas fechando a primeira noite de desfiles das escolas de samba no Autódromo Internacional Ayrton Senna.
No palco, os cinco músicos - acompanhados da banda de apoio - cantaram sambas-enredos, hits da axé music e os sucessos acumulados ao longo de quatro décadas de carreira. A Folha2 entrevistou Bigode, que falou sobre os novos projetos do grupo.
Folha- Os Originais sempre sobem ao palco com esse formato de apresentação - vocês e mais oito músicos de apoio?
Bigode -O grupo se apresenta com 13 pessoas no palco, com a formação de cinco componentes e mais uma banda de apoio, a Ori Samba, que conta com 4 percussionistas. Eu sou o único o remanescente da formação original. Os demais, infelizmente, já foram para o andar de cima.
Como estão os projetos do grupo, há algum plano de gravar CD?
Lançamos nosso último CD, ''Suingue dos Originais'', em 2003. Gravamos um novo, que se chama ''A Corda Arrebenta e o Samba não Cai''. Saímos do estúdio em novembro e agora vamos esperar o lançamento. Vamos acertar também uma data para a gravação de um DVD ao vivo. Assinamos contrato com a gravadora Works Music, que tem uma das maiores vendagens de DVDs do País. O pessoal lá entrou de férias agora, mas depois do Carnaval vamos sentar e conversar sobre essas gravações e lançamentos.
Será tudo material inédito?
O CD tem 15 faixas inéditas e uma regravação da música ''Na Rua, na Chuva, na Fazenda'' (do Hyldon) em ritmo de samba. Já o DVD terá 20 faixas, com quatro inéditas e 16 sucessos (como ''Peladona'', ''Subindo no Morro'', ''Canto de Amor'', ''Tenha Fé'' e outras). Antes deles, a gravadora vai lançar um CD-single com 4 músicas para fazer um barulhinho.
O DVD será o primeiro dos Originais?
É o primeiro. Recebemos convites anteriores, mas recusamos. Eram propostas meia-boca, em que o cara queria sair filmando o grupo na Rua Direita e não sei mais onde. Parecia brincadeira. Falei para ele: ''vamos ser amigos, mas não dá para ser assim''. Os Originais têm história. Se for para gravar um DVD, tem que ser num clube, num salão de show com luz, tudo certinho.
Você destacaria algum grupo atual como ''herdeiro'' dos Originais do Samba?
Gosto particularmente do Fundo de Quintal, que veio para ficar. Gosto também do Exalta Samba (o Péricles, aliás, fez uma participação especial em um de nossos discos), do Revelação, do Sensação, do Art Popular e do Katinguelê. Note que todos são grupos de samba, são sambistas. O que acho ruim é esse pessoal gravar samba sem ser sambista.
Como anda a agenda de shows do grupo? Quantas apresentações vocês fazem por mês?
No último fim de semana tocamos em Brasília (DF) e todo mundo cantou junto 'Se gritar, pega Ladrão', porque lá tá cheio de ladrão. A platéia era grande. Mas tudo depende da mídia. Se o show é divulgado, vai gente. Se não é, fica difícil, porque o público não pode adivinhar. Este ano, além de Londrina, fomos convidados para animar o Carnaval de Ribeirão Preto. Lá, eles nos chamaram pela terceiro ano consecutivo. Espero que aconteça o mesmo em Londrina. Quero retornar no ano que vem.


