Suingue com inteligência

O Rappa, um dos bons grupo do pop nacional, se apresenta hoje no Cinema Café, em Londrina
Antônio Mariano Júnior

A
os poucos, a rapaziada vem conquistando merecidamente seu metro quadrado no terreirão do pop tupiniquim. E com um trabalho muito bacana. Que tem suas raízes fincadas no reggae mas que também se abre a outros estilos como o rock, o samba, o rap e outros quetais que, misturados, dão um um bom caldo. É O Rappa que dá hoje o seu recado num show que acontece às 23 horas, no Cinema Café, em Londrina.
O repertório vai abranger hits dos dois discos do grupo, ‘‘O Rappa’’ (94) e ‘‘O Rappa Mundi’’ (96). Entre as músicas, ‘‘Todo Camburão Tem um Pouco de Navio Negreiro’’, ‘‘Take it easy my brother Charlie’’, ‘‘Miséria S.A’’, ‘‘O Homem Bomba’’, ‘‘A Feira’’ e a deliciosa regravação de ‘‘Ilê Aye’’ (registrada originalmente em 77 por Gil no antológico ‘‘Refavela’’), entre outros.
O show de O Rappa não deve ser apenas encarado com um evento chacoalhante, feito para dançar. Quer dizer, até pode. Mas é preciso ficar atento e forte às letras que são, na verdade, ácidas crônicas do cotidiano. É por essas e outras que o grupo não pode ser visto como um produto descartável. Não. Há inteligência por trás da sonoridade contagiante.
É certo que quando surgiu no mundo fonorgráfico, há quatro anos, O Rappa foi de certa forma incompreendido e quase passou batido do grande público. O disco de estréia, sedimentado no reggae, apesar de consistente se mostrou um tanto quanto hermético para não dizer difícil. Vendeu não mais que 30 mil cópias.
Mas foi a partir do segundo que a coisa deslanchou. Parte do mérito deve ser creditado a Liminha, um sacerdote musical travestido de produtor que sacou qual era a onda dos rapazes e mandou ver sem descaracterizar ou banalizar o trabalho do grupo. O público aprovou. Resultado: 250 mil cópias vendidas, badalação da mídia, shows por todo o País.
‘‘As pessoas podem gostar, odiar, ou gostar um pouco mas uma coisa é certa: ninguém possui a sonoridade de O Rappa. Temos nossa identidade, não somos cópia ou subproduto de nada’’- analisa Xandão, guitarrista e backing vocal. ‘‘A gente não trabalha para vender disco e sim construir uma carreira, o que é muito mais importante’’- complementa. Tá certo, ele!
O terceiro disco da moçada - além de Xandão, o grupo é formado por Falcão (vocal, backing vocal e guitarra), Marcelo Yuca (bateria), Marcelo Lobato (teclados, sampler e backing vocal) e Lauro Farias (baixo, baixo synth e backing vocal) - deve sair em outubro. As gravações acontecem entre junho e julho, depois que fizerem uma pequena turnê pelos EUA. Liminha novamente vai assumir a produção mas, ainda segundo Xandão, a linha musical não está definida.
Pode ser que o disco venha com uma sonoridade mais pesada. ‘‘Estamos também ouvindo bastante Bebeto e Zeca Pagodinho, ou seja o soul e o samba.’’ - avisa o guitarrista. Uma coisa é certa: vem novidade por aí. E das boas. Afinal, O Rappa chegou com tudo no cenário pop brasileiro e até agora não decepcionou. E tudo indica que isso tão cedo não vai acontecer. ‘‘O dia que a gente não tiver mais nada de novo para contar a gente não grava mais discos’’- afirma Xandão. Aguardemos, pois, a nova cria!
Show com o grupo O Rappa. Hoje (sábado), às 23 horas, no Cinema Café de Londrina (Avenida Rio Branco, 135A). Ingressos antecipados a R$ 15 e podem ser adquiridos nas Lojas Nat West, Restaurante Universitário e Patio San Miguel. Na hora, R$ 20,00. Mais informações pelo telefone (043) 338.0080.

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