Sucesso nos gibis fracassa no cinema
São Paulo, 16 (AE) - "Mandrake" não logrou ganhar vida nas telas, mas o "Fantasma" sim - para a crítica, foi seu azar. O "Fantasma" dirigido por Simon Wincer (de Free Willy), que chegou aos cinemas em 1996, não convenceu a maior parte dos fãs do personagem.
Mas ninguém pode acusar apenas o ator principal, Billy Zane, de ser o responsável pelo naufrágio do filme. Ele foi aprovado pessoalmente por Lee Falk, que antes tinha examinado os nomes de Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis. Segundo Falk, os dois últimos nomes fariam o custo da produção subir estratosfericamente.
Na verdade, o problema não estava com o ator - afinal, era preciso mesmo ser um pouco canastrão para vestir aquela malha púrpura e o cuecão por cima. O problema estava no roteiro, que tinha ação ininterrupta mas não apresentava história alguma. A não-história: um magnata de Nova York busca três caveiras místicas que vão dar-lhe poderes excepcionais. Uma delas está na caverna do Fantasma, outra no Museu de História Natural e outra está em uma ilha perdida. O magnata contrata mercenários para pegar a caveira do Fantasma - claro que os coitados vão penar na mão do Espírito que Anda.
Algo que se pode ressaltar como qualidade no filme é o décor. A floresta de Bengala e suas praias e matas são impecáveis. A parte urbana do filme também está bem convincente, com as roupas anos 30 e até uma perseguição no ainda incipiente trânsito da cidade grande.
Lee Falk estava entusiasmado com a expansão do mercado de cinema para os super-heróis, após o sucesso de "Batman", criado por seu amigo Bob Kane. Claro que havia alguns insucessos
como "Dick Tracy", com Warren Beaty.
Mas a influência de "Mandrake" acabou sendo mais visual. Fellini adorava os gestos elegantes e o estilo camp do personagem. Mas sua relação com os quadrinhos só vingou mesmo no álbum "Viagem a Tulum", no qual é personagem. Alain Resnais gostava do estilo gráfico. Tanto que escolheu atores para "O Ano Passado em Marienbad" influenciado por essa predileção: o ator Sascha Pitoeff, muito semelhante aos rufiões de Phil Davis, e a atriz Delphine Seirig, muito parecida com as heroínas frágeis e de humor delicado de Lee Falk. (J.M)





