Quando soube que Pedro, seu personagem em ''Sabor da Paixão'', se apaixonaria por uma mulher casada e tentaria conquistá-la, Duarte Guimarães logo se lembrou de alguns amigos que deixou em Portugal. Tímido inveterado, o ator garante que não há nenhum traço seu no charme que o refinado Pedro desfila para tentar ganhar o coração de Isadora, vivida por Fernanda Rodrigues. ''Tive de imaginar como meus amigos agiriam nesta situação, porque não tenho o sucesso deles com as mulheres'', assegura. Sucesso com a flautista o personagem ainda não alcançou, mas Duarte já caiu nas graças do público feminino. Tanto que tem sido alvo de abordagens bem afoitas das fãs brasileiras. ''Há um histerismo muito grande. Em Portugal, as pessoas não vivem tanto o que vêem na tevê'', compara.
Antes de chegar ao Brasil, no entanto, Duarte fez apenas algumas participações na tevê, em produções portuguesas como ''Os Riscos'', também com texto de Ana Maria Moretzsohn, e ''Diário de Maria'', ambas da RTP. Fã das novelas brasileiras desde criança, o ator jamais imaginou que participaria de uma delas. Hoje, espera que a exibição de ''Sabor da Paixão'' pela portuguesa SIC dê mais visibilidade a seu trabalho na ''terrinha''. ''É uma pena a emissora não valorizar o produto que tem em mãos, já que colocou a novela às 17h30, quando as pessoas estão trabalhando'', lamenta.
Você encontrou dificuldades por trabalhar fora de seu país de origem?
A grande dificuldade foi a maneira de falar. A princípio, eu estava muito preocupado em me fazer entender, porque falo baixo, rápido e há palavras portuguesas que os brasileiros não conhecem. Chegou um momento em que tive de esquecer tudo isso para não prejudicar a interpretação. Estava muito preso ao texto e não conseguia ficar à vontade para improvisar. Então voltei a falar normalmente, mas fazendo algumas pausas nas partes mais difíceis, para que meu sotaque não prejudicasse a compreensão do público. Fora isso, ainda preciso fazer pequenas adaptações no texto que recebo da autora, porque há expressões brasileiras que não são usadas em Portugal.
Como tem sido a recepção dos brasileiros ao seu trabalho?
Em Portugal, eu não era muito conhecido. Mas, mesmo assim, vejo que aqui é bem diferente: os artistas são completamente endeusados. Lá, as pessoas não reagem de forma tão histérica quando vêem um ator na rua. Mas o público me recebeu muito bem, eu fiquei surpreendido com algumas abordagens mais atrevidas, de meninas que já chegam pulando no pescoço, mas há coisas muito boas também. Há pessoas que elogiam meu trabalho, dizem para eu não voltar para Portugal.
Como espectador das novelas brasileiras, quais foram suas grandes surpresas nos bastidores?
O mais interessante foi ver como pessoas que são ídolos das novelas que eu via em Portugal são simples e humildes. Assisti a muitas novelas com Arlette Salles, Cássia Kiss, Pedro Paulo Rangel. Eu imaginava mais vedetismo, mas fui recebido de braços abertos. Só lamento não ter a oportunidade de contracenar mais com eles.
Quais as principais diferenças entre o modo de se fazer tevê no Brasil e em Portugal?
A Globo é a maior produtora de novelas do mundo, tem uma experiência enorme neste ramo. Acho que a tevê portuguesa ainda precisa aprender um pouco mais, investir mais na qualidade, ter cuidado com a escolha dos atores. Os próprios atores ainda precisam aprender a selecionar os trabalhos de que participam. Os brasileiros já estão mais acostumados a isso, até pela experiência que têm.
Você tem planos de permanecer no Brasil depois do término da novela?
Gostaria de passar umas férias aqui, conhecer o Nordeste, Fernando de Noronha, Foz do Iguaçu. Mas já começo a ensaiar um espetáculo em Portugal em maio. Quero voltar ao Brasil mais tarde, trazer para cá meus espetáculos, continuar o intercâmbio que estou começando agora. Seria muito bom trazer a cultura portuguesa, que os brasileiros pouco conhecem. Já até propus ao Nuno Lopes fazermos juntos uma peça e virmos ao Brasil. Acho que seria um excelente momento, depois de eu e ele termos feito as novelas aqui.

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