Arionauro/Carta Z NotíciasTVFoi no começo deste ano que o ator Luiz Salém pôde perceber do que a televisão é capaz. Ele andava tranquilamente no famoso balneário de Búzios, Região dos Lagos fluminense, quando ouviu alguém gritar o nome de Lázaro, personagem que interpreta em ‘‘Salsa e Merengue’’, na Globo. Era um fã que o chamava para um chopinho. Convite natural, já que o atrapalhado personagem tem fama de bebum. O incauto Salém aceitou, sem saber que a cena se repetiria várias vezes. ‘‘No oitavo chope, resolvi voltar para casa antes de cair bêbado’’, diverte-se.
Naquele momento, o estreante Luiz Salém teve a certeza de que o Lázaro, um simples caixa de supermercado, numa novela recheada de estrelas, havia caído no gosto popular. Ele é um entre vários coadjuvantes que conseguem driblar a concorrência e conquistar o público.
Segundo os próprios atores, a afinidade com o autor, o elenco e a direção são fundamentais para o sucesso. ‘‘O ator aponta o caminho. Mas depende da sensibilidade do autor’’, adverte a atriz Walderez de Barros.
Mudança no script Na pele da Judite, de ‘‘O Rei do Gado’’, Walderez acabou indo para a cama com Geremias, papel de Raul Cortez, por insistência do público. Foi depois de analisar as pesquisas que o autor Benedito Ruy Barbosa resolveu mudar a trama. ‘‘O romance não estava na sinopse’’, orgulha-se a atriz.
Sem os recursos financeiros da Globo, o diretor artístico da Manchete, Walter Avancini, dispensa as pesquisas para decidir o caminho dos personagens. ‘‘Não é preciso fazer pesquisas para saber se um personagem está ou não agradando’’, esnoba Avancini, que enfatiza o papel do diretor no bom desempenho dos atores. ‘‘Ensaio e volto quantas vezes forem necessárias até a cena ficar boa’’, avisa, exigente.
Matheus Petinatti, o assanhado Sinhozinho Xavier de ‘‘Xica da Silva’’, é um dos sobreviventes de Avancini. O ator teve de construir o personagem quase sozinho, já que no início da trama contava apenas com uma linha de sinopse. ‘‘Estou feliz porque quando o Avancini não gosta, ele mata o personagem’’, dedura.
Na berlinda Se o diretor é importante para dar o tom da interpretação, o autor desempenha papel fundamental para manter ou não um personagem em evidência. Entre o elenco de ‘‘Salsa e Merengue’’, Falabella é quase idolatrado por todos os amigos para os quais garantiu uma vaga.
‘‘Como o Falabella me conhece há anos, sabe do que sou capaz’’, gaba-se a atriz Stella Miranda, que interpreta a hilariante Socorro. Foi também a amizade entre Falabella e Luiz Salém que fez com que o tamanho avantajado do nariz do ator virasse piada pública. ‘‘Agora todo mundo chama o Lázaro de Nariz da Travessa’’, diverte-se Salém.
Guilherme Piva não é amigo do misterioso autor de Xica da Silva, Adamo Angel, mas conseguiu brilhar graças a um empurrãozinho de Avancini. Foi o diretor artístico da Manchete quem determinou o tom quase infantil de Zé Maria. Guilherme, então, começou a revirar os olhos e enrolar os cachinhos. ‘‘O público adora’’, alegra-se.
A novata Renata Dutra, que viveu a vilã Helô, em ‘‘Anjo de Mim’’, é quase um fenômeno. Numa novela em que poucos se salvaram, ela consegue chegar ao fim da trama sem ter arranhado sua imagem de iniciante promissora. ‘‘Acho que o público percebe a seriedade com que trato o trabalho’’, acredita Renata, contratada da Globo até o ano 2.000.
Reconhecimento. É tudo que esses astros da hora querem. Walderez de Barros que o diga. Ela está felicíssima pelo convite que acaba de receber do diretor Mauro Mendonça Filho. É para viver o papel de Rosilda, mãe da personagem-título da minissérie ‘‘Dona Flor e seus Dois Maridos’’. ‘‘É maravilhoso’’, festeja a atriz.
Carla Regina, Taís Araújo, Giovana Antonelli, Guilherme Piva e Mateus Petinatti também tiveram o passe renegociado na Manchete. Luiz Salém foi outro que agradou. ‘‘Salsa’’ ainda nem terminou e já está escalado para a próxima novela de Falabella, que se chamará ‘‘Escândalo’’ e vai ao ar ano que vem. ‘‘Com o Falabella faço qualquer coisa. Até pintar paredes’’, exagera Salém.
Histórias reais O sucesso repentino é capaz de criar situações estranhas. Depois de alguns meses no ar, Luiz Salém poderia passar horas contando os inúmeros fatos engraçados que protagonizou por conta do destrambelhado Lázaro.
Um dia, ele pegou seu carro sem perceber que um sapo havia adentrado o veículo. Quando estava em plena Avenida Nossa Senhora de Copacabana, uma das movimentadas do Rio, se deu conta de que o anfíbio perambulava pelo banco de trás. Ficou atônito. ‘‘Tenho verdadeiro pavor de sapo’’, admite. Sem perceber, estacionou na frente da saída de um curso de inglês. Logo, se viu cercado de adolescentes que debochavam dele por conta do sapo. Até que tomou coragem para abrir a janela e o sapo pulou fora.
A primeira reação de Stella Miranda ao ser reconhecida na rua, ao contrário de Salém, foi de medo. Ela estava entrando num túnel do Rio quando ouviu alguém gritando por socorro. Naquele momento, ela esqueceu-se que este era o nome de sua personagem na novela e só conseguiu imaginar que se tratava de um assalto. ‘‘Mas quando vi que estavam me chamando, relaxei’’, conta, com um riso tardio.
A atriz Walderez de Barros foi poupada de situações como estas graças ao seu cabelo longo. Como na novela ela estava sempre com coque e por trás das câmaras andava com as longas madeixas soltas, poucos a reconheciam. ‘‘Mas quando estava com Raul (Cortez) ele sempre dedurava’’, lembra, bem-humorada.
Brilho ofuscado Na contramão do brilho instantâneo, o fracasso inesperado é sempre incômodo. Para Glória Pires, ‘‘O Rei do Gado’’ terminou sem deixar saudades. Primeiro, Benedito Ruy Barbosa apresentou a Marieta/Rafaela de Glória como vilã. Depois ela virou boazinha. Por fim, voltou a praticar maldades. Glória Pires deixou claro no vídeo e por trás das câmaras que não gostou. ‘‘Sei como não sair feia na fotografia’’, disse, na época, para explicar que estava apenas cumprindo ordens.
Adriana Esteves também não guarda boas recordações da Mariana, de ‘‘Renascer’’, do mesmo Benedito Ruy Barbosa. De protagonista, virou mera coadjuvante.
O mesmo aconteceu com Diogo Vilela e Elizabeth Savalla, em ‘‘Quatro por Quatro’’. Ambos não podem ouvir falar no autor Carlos Lombardi, que reduziu os personagens dos dois o quanto pôde. Na época, a ex-paquita Letícia Spiller foi quem brilhou, dando vida à sedutora Babalu.

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