Sucesso do Ballet Guaíra volta mais acrobático
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quarta-feira, 12 de junho de 2002
Katia Michelle<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Vinte anos separam a primeira montagem da atual, mas depois de quase dez meses de ensaio, o Balé Teatro Guaíra leva ao palco a segunda versão de O Grande Circo Místico, balé que alavancou a carreira da companhia na década de 80. O espetáculo estréia hoje, no Teatro Guaíra, com curta temporada em Curitiba. Depois segue para o Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Brasília e outras capitais. Ontem, os ingressos na platéia para as primeiras apresentações já estavam quase esgotados.
A expectatica do público, que chegou a formar filas para comprar ingressos, não é por acaso. O Grande Circo Místico tem uma história de sucesso amparada por grandes nomes da música nacional. Na sua primeira montagem, em 1983, o texto baseado no poema de Jorge de Lima, ganhou trilha sonora de Edu Lobo e Chico Buarque de Holanda.
Os dois músicos assinam também a trilha da segunda versão do balé, mas propuseram (mérito mais de Edu Lobo, que acompanhou a nova montagem à distância, além de assistir alguns ensaios) alterações. Algumas músicas foram suprimidas da versão original. Uma das mudanças na trilha, por exemplo, é a interpretação de A Bela e a Fera. Antes na voz de Tim Maia, nessa montagem, ganha versão mais narrativa, com o ator Marco Nanini. Outra mudança acontece na música A História de Lily Braun, que ganhou interpretação da cantora e atriz Vanessa Gerbelli, substituindo Gal Costa.
A trilha reúne canções que se tornaram obrigatórias no conhecimento dos amantes da música popular, como Beatriz e Sobre Todas as Coisas. Tom Jobim, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Zizi Possi, Simone e Jane Duboc interpretam as canções. Mas para essa versão, muitas dessas já tradicionais músicas ganharam sonoridade nova, inclusive com a inclusão de novos instrumentos.
O roteiro de Naum Alves de Souza, sobre o poema de Jorge de Lima, também ganhou uma releitura. A proposta foi dar ao texto uma versão mais contemporânea, mas sem perder o lirismo característico da obra. O Grande Circo Místico, que teve a primeira versão dirigida por Emílio de Biasi e com coreografia de Carlos Trincheiras, é uma das raras obras que reúne em seu contexto de balé, ópera, circo, teatro, música e poesia.
A nova direção artística e coreográfica do balé é assinada pelo coreógrafo argentino Luís Arrieta. O professor e diretor teatral Mauro Zanatta, que aperfeiçoou seus estudos na Europa e desenvolve seu trabalho no Paraná, também foi adicionado à equipe, como consultor de Clowns. Toda a programação visual da nova montagem fica a cargo do designer e artista gráfico Luiz Stein, que recebeu este ano na Bienal de São Paulo o ADG - o mais importante prêmio do setor.
A nova montagem é um projeto da Secretaria da Cultura do Estado do Paraná, do Centro Cultural Teatro Guaíra e da empresa Arte Com Trato. A diretora do Balé do Teatro Guaíra, Suzana Braga, conta que a montagem atual será menos acadêmica, aliando a dança tradicional a um estilo acrobático, que faz com que o espetáculo aconteça em dois diferente níveis - no solo e no ar. Este último, sob o comando da carioca Dani Lima, que desde setembro último vem preparando o corpo de baile do Guaíra em coreografias aéreas.
Serviço: O Grande Circo Místico. Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão). De hoje a sábado às 20h30, e domingo às 19 horas.
Ingressos a R$ 10,00 e R$ 5,00 para estudantes e maiores de 60 anos.


