''Os Dez Mandamentos" caminha para se tornar um dos principais acertos da Record em 2015. Sofrendo com a pouca repercussão de suas novelas desde a fatídica ''Máscaras", a emissora conseguiu recuperar a marca dos dois dígitos no Ibope com a trama bíblica escrita por Vivian de Oliveira. Há um mês no ar, a produção alcançou média de 12 pontos na audiência. No entanto, os resultados positivos não estão apenas ligados à história épica de Moisés ou às exuberantes imagens captadas no Deserto do Atacama, no Chile. A acertada decisão de exibir o folhetim às 20h30 evitou uma briga desleal com a Globo e sua nova novela das nove, "Babilônia".
Com cerca de 150 capítulos pela frente, Vívian de Oliveira tem a missão de manter a história do príncipe do Egito instigante por longos meses. Para isso, a autora decidiu focar em seus núcleos secundários e nos conflitos clichês dos folhetins, como amores impossíveis e vilãs invejosas. Na pele da venenosa Yunet, Adriana Garambone ganha cada vez mais espaço na história a partir de sua personagem ambiciosa, criando conflitos com Henutmire e Leila, interpretadas por Vera Zimmermann e Juliana Didone, respectivamente. Já o trio de protagonistas deixa a desejar com atuações abaixo da média. Moisés, Ramsés e Nefertari, vividos por Guilherme Winter, Sérgio Marone e Camila Rodrigues, ainda não mostram entrosamento em cena. As constantes "caras e bocas" e o tom de voz heroico dos personagens deixam as sequências caricatas demais.
É inegável que a temática bíblica tornou-se o principal ''filão" da dramaturgia da Record. E não é à toa que a emissora tem investido cada vez mais forte no segmento. Para ''Os Dez Mandamentos", Alexandre Avancini, diretor geral, conta com um inflado orçamento de R$ 700 mil por capítulo. Logo nas primeiras imagens é possível notar o avanço em quesitos técnicos, como cenografia e figurino, em relação às primeiras tramas do gênero, como "A História de Esther" e "Rei Davi". Porém, a fraca produção de arte acaba ofuscando a novela. Objetos estalando de novos e roupas ainda engomadas não condizem com o período longínquo retratado e o resultado é artificial. Seja como for, e apesar dos tropeços, "Os Dez Mandamentos" começa a mostrar um futuro positivo para a teledramaturgia da Record.

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