Sucesso de Dingue lota Plattea Café
Michele Muller
De Curitiba
Especial para a Folha2
Nos primeiros meses do ano, quem decidisse passar as noites de domingo ou de quarta-feira no Plattea Café não encontraria no local mais que 50 pessoas. Hoje, nesses dias, é preciso enfrentar uma pequena fila para conseguir sentar em uma das 500 cadeiras que a casa comporta. A explicação mais provável para esse aumento de público é o trabalho de um músico de MPB que desde abril vem ocupando o palco do Plattea: Altair Silva Santos - o Dingue.
Para atrair clientes, o bar tem que ser legal e o atendimento bom. Mas a música é o fator mais importante. Sei de espaços que são agradáveis, mas têm uma música que não casa com o ambiente, diz o responsável pelo sucesso do Café. Sem querer ser pretensioso, acho que dei personalidade ao lugar. Antes a programação variava muito. Agora, ele tem um clima, uma energia boa.
Essa energia pode ser interpretada como interatividade com os espectadores. Nos shows de Dingue, eles não apenas sugerem o repertório, como têm a permissão de mostrar seus dotes vocais. Isso quando não há o perigo da casa se transformar num karaokê: as canjas são abertas àqueles que cantam bem, esclarece.
O músico sabe que tem carisma. Sabe até explicar como se dá essa empatia com o público. Muitos frequentam o Café com regularidade. E faço questão de conhecê-los, saber o que gostam de escutar. As pessoas sentem-se importantes porque eu canto olhando para elas; gosto de ter esse contato visual, ver quem está cantando comigo.
Antes de conquistar os frequentadores das noites no Batel, o cantor e violonista apresentava-se com certa assiduidade em outros bares de Curitiba, como o antigo Sucesso. Do começo de carreira - há dez anos - para cá, muitas letras foram aprendidas e outras tantas, compostas. Mas as canções que mais lhe são pedidas, revela, não mudaram muito na última década. Nem variam conforme o lugar.
Como exemplo, ele cita a música Se, de Djavan - pedido constante no começo dos anos 90 que continua entre as favoritas de muitos boêmios. Leãozinho, de Caetano, também faz parte da lista de hits da MPB que há anos são presença obrigatória nos shows realizados em bares, segundo Dingue.
Quem acompanha o trabalho do músico escuta, em sua voz, muitas obras de João Bosco, Chico Buarque, Djavan, Caetano, Gilberto Gil e Adriana Calcanhoto - para citar alguns de seus artistas preferidos. Em seu repertório também estão composições próprias, que para a surpresa do músico, têm sido muito bem recebidas pela platéia. Uma coisa muito gratificante para mim é o fato de Madrugada, de minha autoria, ser muito pedida por todos, confessa.
No final do ano passado, por curiosidade e de uma forma um tanto impulsiva, Dingue entrou num estúdio e gravou algumas das músicas de que mais gostava. Eu queria sentir o clima de um estúdio, aprender todos os caminhos da gravação de um disco, conta. Ele aprendeu, e foi lançado Medida Exata, à venda no Plattea Café, e a partir desta semana, também em algumas lojas de Curitiba,
A experiência, inicialmente, rendeu apenas 50 cópias, que foram distribuídas entre amigos. Muitos ouviram, muitos gostaram, e veio a necessidade de enviar o trabalho a São Paulo para que fosse prensado um número maior de discos.
Das seis faixas gravadas, duas são de autoria própria (Madrugada e Medida Exata), e duas de Daio Baroni (Fantasias e Vai Amanhecer). As outras são regravações de músicas que marcaram a carreira do artista: Garoto de Aluguel, de Zé Ramalho, e Apenas Mais Um Amor, de Lulu Santos. Muitas pessoas conheceram essas canções por meu intermédio, orgulha-se.





