Como tantas outras meninas do mundo, a mineira Luciana Pereira, 17 anos, tinha o sonho de ser cantora. Desde pequena, toca violão, teclado, canta e escreve suas próprias canções. Exatamente como milhões de meninas e meninos espalhados pelo Planeta. Mas Luciana ganhou uma bela força com a qual outros candidatos a artista não podem contar: ela caiu nas graças da Globo. Pronto. Foi o suficiente para a mineirinha de Belo Horizonte virar ''Lu Alone'', ganhar fama e ver seu CD de estreia - batizado com o seu nome artístico - vender 20 mil cópias.
Lu Alone é só um exemplo de como as Organizações Globo sabem usar a força da empresa para turbinar seus novos artistas. Outros nomes que se encaixam nesse pacote são Fiuk, Luan Santana, Maria Gadú e a dupla Maria Cecília & Rodolfo. Em comum, todos esses artistas têm o fato de serem contratados da gravadora Som Livre - que pertence à Globo. A seu favor, eles também têm o privilégio de aparecer constantemente em programas globais de grande audiência, como ''Domingão do Faustão'', ''Caldeirão do Huck'', ''Fantástico'', ''Altas Horas'', entre outros. Assim, fica fácil fazer sucesso no Brasil.
A mesma sorte global que Lu Alone teve (ver box) também caiu sobre outros jovens. Na lista de investimento jovem da Som Livre estão Luan Santana, Maria Gadú - que já teve músicas nas minisséries ''Maysa - Quando Fala o Coração'' e ''Cinquentinha'' e na novela ''Viver a Vida'' -, Mariana Rios - ex-protagonista de Malhação - e a dupla sertaneja Maria Cecília & Rodolfo.
Sobre a força que a Globo dá a esses novos artistas, a Central Globo de Comunicação diz, em comunicado oficial, apenas que se trata de ''uma decisão artística''. O fato é que essa ''decisão artística'' gera bons lucros à empresa. Especialistas do mercado fonográfico nacional estimam que uma gravadora de grande porte, como a Som Livre, fique com cerca de 60% de tudo o que um CD vende. Tomando como exemplo o fenômeno Luan Santana, 19 anos, cujo CD - batizado com o seu nome - já vendeu 200 mil cópias e custa R$ 14,90, calcula-se que a Som Livre tenha faturado, apenas com a venda do álbum, quase R$ 1,8 milhão.
Números como esse esclarecem a dedicação da Globo em dar destaque aos artistas da Som Livre.''Desde que assinei com a Som Livre, a gravadora me ajudou muito com a mídia na Globo'', diz Luan Santana, que no domingo retrasado esteve por mais de 20 minutos no ''Domingão do Faustão''. Em tempo: Maria Cecília & Rodolfo, também da Som Livre, já tiveram música incluída na trilha da novela ''Paraíso'' (2009), da Globo.
Para o jurado do ''Ídolos'' (Record), Luiz Calainho, que durante dez anos foi diretor da Sony Music, como as gravadoras hoje não têm potencial para investir nos artistas, contam com a exposição da TV. ''Por isso, muita gente primeiro se firma na TV e depois vai virar músico'', diz. É o caso de Fiuk, 19 anos , protagonista de ''Malhação'' e vocalista da banda Hori. Antes de ''Malhação'', ele fazia dois shows por mês. Com a mídia do seriado e suas aparições em programas da emissora - como ''Altas Horas'' -, esse número saltou para 15. Sob as bênçãos da Globo, fica fácil.

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