SUCESSÃO - Quem vai substituir Helena?
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sábado, 21 de fevereiro de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba A cadeira número 28 da Academia Paranaense de Letras, ocupada pela poeta Helena Kolody até a sua morte, no último 14 de fevereiro, continuará vazia pelo menos por mais seis meses. Até lá, os escritores preferem não arriscar nenhum palpite sobre possíveis nomes que poderão ser escolhidos para a cadeira vaga. O que existe, por enquanto, são especulações, que dizem que a sucessora de Helena Kolody na academia será uma mulher.
''É uma cadeira muito cobiçada porque era da Helena, e com certeza haverá muitos candidatos à vaga'', prevê o presidente da academia, Tulio Vargas. De acordo com ele, palas regras da academia não há nenhuma restrição para a ocupação das 40 cadeiras existentes. ''Não é porque Helena era mulher e poetisa que o próximo ocupante terá que ter essas mesmas características. Não se trata de uma cadeira de poetas'', esclarece.
Mesmo assim, Vargas acredita que as quatro mulheres que estão hoje na academia deverão lutar para manter a quinta vaga, de Helena, com uma mulher. ''Helena foi um ícone, e a sua suscessão tem que ser bem discutida para não causar nenhum trauma na área intelectual'', diz Vargas.
A escritora, poeta e romancista Adélia Woellner, que ocupa a cadeira 15 da academia, concorda com a responsabilidade em garantir uma boa sucessão. ''Imagine alguém dizer que é sucessor da Helena Kolody na academia? É um privilégio. Por isso acredito que deve haver uma concorrência maior para a vaga. Só que o fato de ser a Helena também impõe uma estatura para quem pretende ocupar sua cadeira'', avisa.
Adélia, no entanto, não é uma ferrenha defensora de que o assento deve ser garantido para a ala feminina. ''Nós já conquistamos um bom espaço e vamos tentar manter as cinco vagas. Seria bom se fosse uma mulher e poeta'', diz, ressaltando que há várias pessoas qualificadas para ocupar a vaga. Ela acredita, no entanto, que o critério principal para a vaga é a qualidade do trabalho do candidato. ''Se for o caso, será um homem. Eu queria que fosse uma mulher e há uma percepção também entre os homens da academia de que é importante misturar homens e mulheres na casa. Mas, independente disto, o melhor é quem deve ocupar a cadeira de Helena'', diz.
A mais nova mulher a ingressar na academia, a escritora e romancista Leonilda Hilgenberg Justus, que, desde junho de 2000 ocupa a cadeira número 29, não tem preferência para a sucessão. ''Se eu entrei no lugar de um homem, agora um homem também pode ocupar o lugar de Helena. A vaga é livre'', diz.
Se houvesse uma especificação para cada cadeira provavelmente a academia seria, hoje, exclusivamente masculina, uma vez que seus fundadores, em 26 de setembro de 1936, eram todos homens. A primeira mulher a entrar para o mundo dos imortais da literatura no Paraná foi a escritora Pompilia Lopes dos Santos, que em setembro de 1991 ocupou a cadeira 37, que antes era de seu pai Dario Moreira Santos. No mesmo ano, Helena Kolody entrou para a academia, ocupando a cadeira de número 28.
Em 5 de dezembnro de 1995, Adélia foi eleita para a cadeira número 15. Em dezembro de 1996 foi a vez de outras duas mulheres assumirem: a romancista Hellê Velloso Fernandes entrou no lugar de Pompília, que morreu em 1993, deixando aberta a cadeira 37. E Chloris Casagrande Justen entrou para a cadeira 24. Por último, em 2000, Leonilda assumiu a cadeira 29. Ou seja, a academia já abriu lugar para seis mulheres. Destas duas morreram.
Pelos trâmites legais exigidos pela academia, em seis meses a entidade publicará edital declarando aberta a vaga à cadeira 28 e abrindo inscrição para os candidatos, que terão prazo de um mês para fazerem seus registros. Os nomes passarão inicialmente por uma comissão de seleção, composta por integrantes da Academia. Em seguida, os selecionados vão para eleição direta e secreta, com participação de todos os membros da Academia.
Para se candidatar, é preciso ter qualificação e credibilidade intelectual. Não é necessário ter livros editados, desde que tenha textos publicados na imprensa ou avulsos.


