SUBMARINO EMERGE NOS ANOS 90
Nelson Sato
De Londrina
Os beatlemaníacos batem ponto em Liverpool. De amanhã ao dia 31, a cidade natal de John, Paul, George e Ringo vai sediar a Semana Internacional dos Beatles, que terá como principal atração o relançamento do filme Submarino Amarelo (Yellow Submarine).
O filme, um desenho animado psicodélico produzido em 1968, será exibido em sessão premiére no Philarmonic Hall durante o Mathew Street Festival um festival realizado há sete anos ao ar livre no centro de Liverpool. Para celebrar a volta do desenho às telas, um imenso palco com um submarino amarelo foi montado em frente à prefeitura local.
Estima-se a presença de 100 mil visitantes na cidade, localizada no noroeste da Inglaterra. A programação da festa inclui a já tradicional convenção dos fãs com feiras, exposições, exibições de vídeos, passeios pelos lugares eternizados pelo quarteto, trombadas com sósias espalhados pelas ruas e shows com mais de 180 bandas de vários países.
Toda a badalação, no entanto, está dirigida para a volta do Submarino Amarelo, cujas quinquilharias temáticas deverão esvaziar os bolsos dos peregrinos. O desenho chega com som surroundsound, novas cópias em home video e versão em DVD. O lançamento mundial acontece no dia 8 de setembro.
Uma semana depois, no dia 14, chega às lojas a trilha sonora remasterizada do CD com distribuição pela Apple, EMI e Capitol. O disco original foi lançado em janeiro de 1969, seis meses depois da estréia do longa. Trazia 13 faixas. Sete eram composições orquestradas por George Martin e seis eram canções dos Beatles, sendo que destas apenas quatro eram inéditas.
Mas mesmo essas quatro eram sobras de estúdio de gravações anteriores: Only a Northern Song ficou de fora do álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band; All Together Now e Its All Too Much foram excluídas de sessões de gravação em 1967; e Hey Bulldog (escolhida para ser clipe promocional na nova versão) havia sido rejeitada em uma sessão de 1968.
Completavam o repertório as já conhecidas All You Need Is Love (do álbum Magical Mystery Tour) e Yellow Submarine (de Revolver). Os Beatles, na verdade, não deram muita bola para o projeto. Recusaram-se inclusive a fazer as vozes dos personagens do desenho. A nova versão do disco, ainda imersa em mistérios, deve ser ampliada com as canções Eleanor Rigby, Nowhere Man e Lucy in the Sky with Diamonds.
O filme, por sua vez, divide opiniões. Há quem veja permanência nele, há também quem o considere datado, pelos excessos psicodélicos. Foi dirigido pelo canadense George Dunning e produzido por Al Brodax. Os desenhos, encharcados de imagens surreais, traziam a assinatura de Heinz Edelmann e colaboração dos especialistas em animação e efeitos especiais Jack Stokes, Robert E. Baiser e Charles Jenkins. O roteiro, de autoria de Lee Minoff, teria partido de um delírio de John Lennon.
O pesquisador Roberto Muggiati afirma no livro A Revolução dos Beatles, que a inspiração do filme era óbvia: em sua primeira viagem de LSD, John fantasiou que a casa de George Harrison era um imenso submarino. A história é ambientada em Pepperland, a terra da música, que é invadida pelos Blue Meanies, monstrinhos azuis que detestam canções.
Capitain Fred, maestro da banda do Sargento Pimenta, sai pelo oceano com seu submarino amarelo para pedir socorro aos Beatles. Estes, para livrar os amigos dos vilões, atravessam o Mar dos Monstros e o Mar dos Buracos, encontram o Nowhere Man (um homem sem identidade), escalam latas de sopa, deliram com Lucy no céu e seus lisérgicos diamantes e passam por Eleanor Rigby para finalmente atingir o destino.
A volta do Submarino Amarelo é só mais um episódio da promíscua relação entre o legado dos Beatles e a indústria do entretenimento. Os apelos promocionais, contudo, não anulam o gigantismo dos fab four.





