São Paulo, 17 (AE) - Começa amanhã (18) o 8.º Festival de Teatro de Curitiba, na verdade um festival de artes cênicas, uma vez que a programação da edição deste ano tem espetáculos das mais diferentes linguagens - dança, circo e teatro - e dos mais variados gêneros - comédias, dramas, textos clássicos e contemporâneos, poesias e até uma opereta.
Durante 11 dias, um público estimado em 90 mil pessoas terá a oportunidade de escolher entre 52 espetáculos - 21 na Mostra Oficial e 31 no Fringe - espalhados por 22 teatros, auditórios e espaços culturais, sem contar praças e ruas.
Entre os espetáculos da Mostra Oficial, 13 são estréias nacionais, como "Sublime", que promete uma abertura feérica para o evento amanhã à noite no àpera de Arame. Adaptação de Vladimir Capella da peça "Como a Lua", de sua autoria, para a linguagem circense, "Sublime" levará ao palco um elenco de 120 atores, músicos e bailarinos liderados pelo ator Marcos Frota, fundador do Grande Circo Popular do Brasil.
Artistas consagrados marcam presença em monólogos, como a atriz Walderez de Barros e o ator Raul Cortez, ambos interpretando a obra de poetas. Walderez, sob direção de Jorge Takla, mostra ao público, no monólogo "Tu e Eu", 35 poesias do persa Rumi. Cortez, dirigido por José Possi Neto, escolheu o universo de dois poetas ibéricos em "Um Certo Olhar Pessoa Lorca". Já o ator Luís Melo desvenda o ser humano por trás de um dos maiores mitos da dança de todos os tempos no espetáculo "Nijinsky".
A linguagem da dança tem forte presença no festival. Por meio dela, sobem ao palco temas como o preconceito e o nazismo em "Bent, O Canto Preso", adaptação coreográfica de Sandro Borelli para a peça homônima com o grupo de dança F.A.R. 15. E misturada à linguagem circense, toma conta das ruas e praças nas apresentações das companhias La Mínima Companhia de Ballet, dirigida por Domingos Montagner e Fernando Sampaio e Linhas Aéreas, do coreógrafo Rogério Maia.
O humor está garantido com a opereta "O Homem Que Sabia Português", com libreto e músicas do maestro Tim Rescala, com os mineiros da Companhia Burlantins, eleito o melhor espetáculo de teatro no ano passado, em Belo Horizonte. Ainda entre as esperadas estréias nacionais estão "As Fúrias", com o grupo Privilegiados, de Antônio Abujamra, e "O Crime do Dr. Alvarenga", texto e direção de Mauri Rasi com Paulo Autran, Drica de Moraes e Ernani Moraes.
A violência e loucura são tema de duas peças: "D.C.V.X.V.I - Eis o Filho da Luz" e "Roberto Zucco". O primeiro tem texto e direção de Paulo Biscaia Filho e se inspira na vida do serial killer brasileiro Febrônio Índio do Brasil. "Zucco", com direção de Nehle Franke, texto do francês Bernard-Marie Kolts, tem como fonte de inspiração um assassino italiano e promete figurar entre os grandes espetáculos da programação.
Também promete causar impacto "Sonhos de uma Noite de Verão, de Shakespeare", sob direção de Márcio Meirelles com 31 atores do Bando de Teatro Olodum e da Companhia Teatros Novos. Ainda entre os destaques da mostra oficial, "O Caderno de Rosa de Lori Lamby", monólogo de Iara Jamra, sob direção de Bete Coelho, inspirado em conto de Hilda Hilst, e "É o Mar, Alfonsina É o Mar", com texto e direção do português Tiago Torres da Silva, única atração internacional do evento.

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