Suavidade atemporal
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Mariana Trigo<br> TV Press 
Mesmo atuando em papéis mais fortes e determinados, Miriam Freeland não consegue se desvencilhar de seu perfeito ''physique du rôle'' para os personagens de época. Com uma voz meiga, gestos de bailarina - dança com sapatilhas de ponta desde os seis anos de idade - e feições de camafeu, a atriz de 31 anos tenta, a todo custo, mostrar uma insuspeita faceta contemporânea na interpretação de suas últimas personagens na tevê. Principalmente na pele alva da impetuosa jornalista Lígia, de ''Poder Paralelo''. Mesmo nessa ardilosa trama de Lauro César Muniz, Miriam ainda deixa transparecer as referências de seus personagens de época anteriores e a influência do balé. ''Não tenho como separar a bailarina que existe em mim da atriz. Tenho muita consciência corporal e isso é passado nos mínimos gestos para os papéis. Minha natureza é melancólica mesmo, por isso gosto tanto de fazer época'', admite.
Uma das maiores frustrações de Miriam Freeland foi nunca ter conseguido um papel no cinema. ''Já fiz milhões de testes e juro que nunca passei em nada'', lamenta a atriz, sem perder o bom humor. Diante das negativas para estrear na telona, a atriz, que é casada com o ator e diretor Roberto Bomtempo, decidiu, por conta própria, fazer cinema ao lado do marido. O casal, que estava em cartaz com a peça ''Espia Uma Mulher Que se Mata'' - baseada na peça ''Tio Vânia'', de Anton Tchekhov, na versão do argentino Daniel Veronese -, resolveu adaptar a obra para o cinema. ''Como a gente não se relaciona com a plateia na peça, o projeto tem o formato certo para o cinema, uma interpretação simples, limpa. É uma pegada ótima'', anima-se a atriz.
Apesar de comemorar seus 15 anos como atriz de tevê este ano, Miriam assegura que está realmente decidida a fazer ainda mais cinema. ''Não me acho uma atriz de televisão. Podem dizer que sou, mas não acredito. Isso é muito louco'', avalia. Tanto que Miriam já pensa em outra montagem: rodar o longa ''Mão na Luva'', a partir da peça de Oduvaldo Vianna Filho. ''Fico chateada porque o cinema brasileiro gosta de trabalhar com gente que não é ator. Chamam o 'Zezinho' para contracenar com figurões, como Fernanda Montenegro ou Rodrigo Santoro. Fico triste com isso'', desabafa.


