Suave sombra da morte
O filme ‘‘O Toque de Oboé, de Cláudio Mac Dowell e com o ator Paulo Be tti, estréia hoje no Cine Ritz
DivulgaçãoPaulo Betti e Letícia Vota comandam o elenco do filme ‘‘O Toque de Obo钒, que utiliza a linguagem do realismo fantásticoZeca Corrêa Leite
Um músico escolhe um lugarejo qualquer, perdido nos confins da América Latina, para ver passar seus últimos dias. Condenado por uma doença incurável, quer morrer em paz. Por ironia, escolhe um lugar onde os enterros são o único acontecimento a quebrar a monotonia, até que se transformam em coisa comum e a apatia impera por completo.
Augusto, o oboísta, vivido pelo ator Paulo Betti, é o personagem central do filme ‘‘O Toque do Obo钒, de Cláudio Mac Dowell, que estréia hoje no Cine Ritz, em Curitiba. Sobre seu trabalho, diz o diretor:
- É um filme latino-americano que fala da decadência e usa da liberdade do realismo mágico: uma telefonista que fala com Deus, um velho que levanta do chão.
É claro que uma figura romântica como Augusto, não passa ao largo dos corações femininos. O moço envolve-se com Aurora (Letícia Vota), herdeira de um velho cinema deixado por seu pai, antigo cineasta amador e colecionador de filmes latino-americanos. A união dos dois, faz com que Aurora termine um caso que mantinha com o comissário Flores (Arturo Fleitas). Porém a morte é inevitável e chegará a hora do músico partir.
‘‘O Toque do Obo钒 poderia ser um drama, um convite para as lágrimas, mas o resultado nas mãos de Mac Dowell é outro: uma comédia anárquica. ‘‘A comédia está na minha formação. Eu ouvi muito o humor da Rádio Mayrink Veiga, e vi muita chanchada na infância. Tenho o espírito carioca, o amor pela sátira. ‘O Toque do Oboé’ é uma comédia, com muita poesia, muito lirismo’’, afirma.
Fitas antigasCenas de filmes das primeiras décadas do século, como ‘‘Braza Adormecida’’, de José Medina, de 1919, e o desenho animado de Luiz Seel, ‘‘Macaco Feio, Macaco Bonito’’, de 1928, recheiam algumas passagens de ‘‘O Toque do Obo钒, como se fossem os cartazes mudos do velho cinema.
Cabe ao oboísta animar as projeções com seu som mágico. Tão mágico que alguns fenômenos começam a ocorrer no povoado. A vida parece voltar entre os habitantes: as casas são pintadas, os jovens deixam-se levar pelo encanto da tela e lançam olhares certeiros para as lânguidas mocinhas. Uma lufada de oxigênio varre as existências.
Produzido com um olho no mercado nacional e outro no Mercosul, o filme tem como diretor de arte Agustín Nú¤ez, que trabalhou na Colômbia e em Assunção, depois de estudar em Munique e Milão e ter feito algumas oficinas com Alwin Nikolais.
O elenco é encabeçado, além de Paulo Betti, por Mario Lozano, Letícia Vota e Arturo Fleitas. Lozano é ator teatral e radioator argentino. Atuou em mais de 50 filmes, tendo sido dirigido pelos melhores cineastas de seu país, entre eles Hugo del Carril, Hugo Sofovich e Fernando Solanas em ‘‘Sur’’.
Letícia Vota, também argentina, é conhecida pelo seu trabalho no cinema e na televisão. No Brasil fez o papel de uma prostituta na novela ‘‘Kananga do Japão’’, produzida pela TV Manchete, sob direção de Tizuka Yamazaki. Arturo Fleitas, ator paraguaio, durante muito tempo trabalhou com um dos grupos mais importantes do Uruguai, ‘‘El Galpón’’, e no México.
‘‘O Toque do Obo钒, de Claudio Mac Dowell, com Paulo Betti, Letícia Vota, Mario Lozano, Arturo Fleitas. Em cartaz no Cine Ritz, às 14h30, 16h45, 19 e 21h45. Censura: 14 anos.

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