'Stuart Little 2' antecipa a temporada de férias
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sexta-feira, 29 de novembro de 2002
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Tudo indica que esta é uma temporada de acertos no varejo das franquias hollywoodianas que processam material infanto-juvenil também com inegável lucro para acompanhantes adultos. Depois de ''Harry Potter e a Câmara Secreta'', chega hoje às salas brasileiras em pré-lançamento a comédia ''Stuart Little 2'' (veja a programação de cinema na página 2). E já está confirmada a estréia da ótima segunda parte de ''O Senhor dos Anéis, abrindo o Ano Novo. A este quadro favorável espera-se acrescentar a versão que Roberto Benigni fez, na Itália, do clássico ''Pinocchio'', com lançamento em circuito nacional previsto para 24 de janeiro.
Quase três anos se passaram na vida de Stuart Little. Cumprida com êxito a etapa inicial narrada no primeiro filme o ratinho deu duro para afinal ser adotado pela confortável família de humanos classe média de Nova York, os Little , o personagem está de volta para enfrentar novas atribulações. Além dos pais (Geena Davis e Hugh Laurie) e do irmão George (Jonathan Lipnicki), um novo membro foi acrescentado para a felicidade do clã: o bebê Martha. A vida deveria ser somente alegria para um ratinho no limiar da puberdade, mas há alguns problemas. Nada muito grave, mas ainda assim problemas. Embora Stuart e George sejam irmãos do fundo do coração, há coisas mais ou menos irreconciliáveis. Para começar, o tamanho. Stuart não pode jogar futebol, e quando joga corre constante perigo. E ninguém o convida para um videogame. Assim, não é surpresa que a Sra. Little seja superprotetora e afetivamente asfixiante. Esses fatores têm deixado Stuart à beira da frustração. É preciso provar aos pais que ele é capaz de cuidar de si mesmo. E então um dia acontece.
Dirigindo seu potente conversível vermelho de brinquedo pelas ruas de Manhattan, ele é surpreendido por uma inesperada passageira que literalmente cai do céu. É Margalo, uma assustada canarinha ferida na asa por um falcão. Os dois se fazem amigos (até um pouco mais...), mas a ave guarda um segredo que aos menores, destinatários primeiros do filme, poderá surpreender. Para curar as feridas será preciso também que entrem em cena a verdade e a lealdade. Além da nova companhia agora do seu tamanho, ou bem por causa dela, que um dia vai desaparecer sem deixar rastro, Stuart vai se envolver numa aventura que servirá de teste para o seu caráter, sua ingenuidade e, em termos de ação eletrizante, para suas insuspeitadas habilidades aéreas em rasantes sobre o Central Park. A seu lado, o sempre fiel e cada vez mais, digamos, relutante escudeiro Snowbell, o irresistível persa branco.
Delicada fábula sobre união familiar, amizade e responsabilidade compartilhada, ''Stuart Little 2'' felizmente é fiel ao espírito do primeiro filme. Baseado em narrativa de E.B. White escrita e publicada em 1945, hoje um clássico da literatura infantil norte-americana, o roteiro justo de Bruce Joel Rubin (autor do ''Ghost'') está à altura do anterior, escrito por M. Night Shyamalan. Se na estréia do personagem surpreendiam mais os efeitos de animação computadorizada o Stuart 2 é ainda tão melhor que ninguém presta atenção em tecnologia agora há outra atração irresistível.
Não somente chegaram outros animais (à canarinha em apuros se soma o falcão-vilão, e está de volta com mais destaque o gato Snowbell) como todos compartilham mais cenas juntos, terminando como estrelas desta comédia sob todos os aspectos ''little'' ao todos são somente 78 minutos, quase cinco de créditos. De novo por trás das câmeras, Rob Minkoff (''O Rei Leão'') organiza tudo com muito esmero e dinamismo.
Na maioria, as cópias desta pré-estréia nacional são dubladas, e a exemplo do primeiro filme não comprometem o resultado final. Mas quem curte vozes originais deve lamentar não ouvir o trabalho minucioso e criativo de Michael J. Fox como Stuart, Melanie Griffith evocando em Margalo uma sonoridade afetada à Betty Boop, James Woods reforçando a rapinagem do falcão peregrino e Nathan Lane impagável como o felino Snowbell.


