Bob Stroger:"A música muda, porém eu não mudei meu estilo de tocar. Ainda toco o blues de raíz"
Bob Stroger:"A música muda, porém eu não mudei meu estilo de tocar. Ainda toco o blues de raíz" | Foto: Divulgação



Em pequena turnê pelo Brasil, o baixista e cantor Bob Stroger traz o blues de Chicago à Londrina no próxima sexta-feira (18). Aos 86 anos, ainda continua na ativa com muita energia. Famoso por sua performance no palco e seu carisma que permite grande interação com a plateia, Stroger acredita que o blues seja uma língua universal. E, por isso, faz sucesso por vários países onde passa. O show acontece às 22 horas, no Menina Bar, no Circuito Internacional de Blues que, este ano, já trouxe J.J. Jackson à cidade. A abertura fica por conta da banda Jamming 4 Love – 4 Vozes e 4 Violões com Luke de Held, Marco Aurélio, Diogo Morgado e Alan Silva.

Acompanhado por Décio Caetano (guitarras), Diogo Morgado (guitarras), Wellington Souza (bateria), Bob Stroger promete tocar alguns de seus sucessos e vários clássicos de músicos consagrados que acompanhou durante décadas. Dentre as lendas do blues que trabalhou estão Eddie King, Otis Rush, Jimmy Rogers, Eddie Taylor, Eddy Clearwater, Sunnyland Slim, Louisiana Red, Mississippi Heat, Snooky Pryor e outros.

Stroger foi vencedor de dois prêmios Grammy Blues Music Award de melhor baixista de blues em 2011 e 2013. Reconhecimento, de certa forma tardio. Mas isso se explica, talvez, pelo fato de ter levado anos para gravar um álbum. Stroger trabalhou com Sunnyland Slim e Mississippi Heat durante as décadas de 1980 e 1990, antes de se juntar a Odie Payne como músico regular da série de festivais American Blues Folk. Encorajado por Sunnyland Slim, começou a cantar e escrever suas próprias composições. Em 1998 se juntou a um grupo de músicos no Lucerne Blues Festival na Suíça, que resultou em seu primeiro disco solo "In the House: Live at Lucerne", acompanhado por Ken Saydak e Billy Flynn, lançado em 2002.

O COMEÇO - Nascido no Missouri em 1930, mudou-se para Chicago aos 16 anos. Foi quando começou a se dedicar à música e aprendeu a tocar guitarra sozinho. Formou uma banda com pessoas de sua família, a The Red Tops, na qual os integrantes usavam boinas pretas com adornos vermelhos, por isso a alusão ao nome. Stroger logo começou a tocar jazz com Rufus Forman, mas foi quando conheceu Eddie King que a sua carreira como músico de blues tomou forma. Adotou o baixo como instrumento e tocou no single "Love You Baby" (1965) de Eddie King e, até hoje, esbanja vitalidade.

Confira entrevista à FOLHA:

Você aprendeu a tocar guitarra sozinho. Um bom músico já nasce músico ou pode se tornar um com treino?
Sim, eu acredito que alguém possa ser treinado com trabalho duro. Mas você precisa amar o que faz, além de dedicar muitas horas.

Por que demorou tantos anos para lançar seu primeiro disco?
Eu não costumava fazer gravação; só pensava em tocar baixo. Mas todos meus amigos não me deixaram e, então, eu gravei.

Dos músicos que acompanhou durante sua carreira, quais considera mais importantes para seu crescimento. Por quê?
É difícil, para mim, dizer. Muitos me ajudaram a seguir em frente, como Eddie Taylor, Otis Rush e Sunnyland Slim.

Sua música de hoje mudou muito da que fazia no início da carreira? Como definiria seu estilo?
Sim, a música muda, porém eu não mudei meu estilo de tocar. Ainda toco o blues de raíz.

Qual sua opinião sobre a nova geração de músicos do blues?
Eu adoro isso, porque a vida muda. Na época, nós éramos uma nova geração. A música está sempre mudando.

O que acha do público de jazz no Brasil? E a música brasileira?
Eu amo o público no Brasil, que amam as pessoas e amam o blues. Eu gosto de toda a música que é bem tocada.

Serviço:
Show Bob Stroger
Quando: Sexta-feira (18), às 22 horas
Onde: Menina Bar (Av. Santos Dumont, 1.113)
R$ 200 (mesa para 4 pessoas) e R$ 300 (mesa para 6 pessoas). R$ 50 convites individuais para mesas coletivas
Mais informações: (43) 3028-1550

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