Mais de 2,6 milhões de pessoas já acessaram a plataforma pública e gratuita de produções audiovisuais brasileiras. O dado foi divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo. Somente nos três primeiros dias de acesso, a plataforma foi acessada por 295.103 pessoas. Em um dos momentos de pico, a plataforma contabilizou 53 mil acessos simultâneos. Já as visualizações de produções audiovisuais chegaram a 2,3 milhões.

A Tela Brasil, plataforma pública gratuita de streaming e dedicada exclusivamente ao audiovisual brasileiro, foi criada pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas no dia 30 de maio. A proposta é clara e entusiasma a cinefilia somente acostumada a encontrar uma grande maioria de títulos estrangeiros; a ideia portanto é democratizar o acesso ao cinema nacional, oferecendo um catálogo de lançamento que reúne 561 obras produzidas ao longo de mais de um século, desde 1910 até produções recentes.

Há ficção, documentário, animação e curtas, em médias e longas metragens, contemplando diferentes regiões do país, épocas e estilos.

Um dos grandes atrativos do Tela Brasil é reunir, em um só lugar, filmes brasileiros premiados em festivais nacionais e internacionais, muitos deles referência obrigatória para quem quer entender a história do nosso cinema. Criado sem empresas privadas por 80 pesquisadores e estudantes, o projeto visa democratizar o acesso ao cinema fora do eixo Sul e Sudeste do país.

O catálogo inicial reúne obras de acervos federais, incluindo 19 filmes indicados ao Oscar, além de produções da Cinemateca Brasileira e da Fundação Palmares.

Disponível inicialmente em versão web, o serviço conta com recursos de acessibilidade em mais de 300 obras e não terá anúncios ou cobrança de assinaturas.

UM PROJETO-EXEMPLO

O que começou como um projeto de pesquisa dentro da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) se transformou no streaming, desenvolvido pelo Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES/UFAL). A plataforma foi criada sem participação de empresas privadas e mobilizou cerca de 80 integrantes, entre pesquisadores, desenvolvedores, técnicos, estudantes e bolsistas de instituições públicas de diferentes regiões do país.

Segundo a vice-coordenadora do projeto e professora da UFAL, Luciana Santa Rita, a proposta surgiu a partir da necessidade de ampliar o acesso ao audiovisual brasileiro fora dos grandes centros do país: “A plataforma democratiza o acesso a estados e cidades sem cinemas e fora dos eixos Sul e Sudeste. Filmes que dificilmente chegariam aos streamings comerciais, como curtas e documentários, poderão ser consumidos pela sociedade”.

Para a equipe responsável, o projeto também representa um exemplo da capacidade das universidades públicas brasileiras de desenvolver produtos digitais de grande escala.

“O desenvolvimento da Tela Brasil pela UFAL e pelo NEES é um exemplo prático de como a universidade pública brasileira pode atuar na vanguarda tecnológica. O projeto reafirma o protagonismo acadêmico das instituições federais de ensino superior, provando que elas são capazes de entregar produtos de alta complexidade e escaláveis para milhões de usuários”, disse Luciana Santa Rita.

“O Que é Isso, Companheiro?”, de Bruno Barreto, está no Top 5 de filmes mais acessados na plataforma Tela Brasil
“O Que é Isso, Companheiro?”, de Bruno Barreto, está no Top 5 de filmes mais acessados na plataforma Tela Brasil | Foto: Divulgação

O TOP 5 DE ACESSOS

No topo da lista inicial dos mais vistos aparece “A Hora da Estrela”, adaptação do romance de Clarice Lispector dirigida por Suzana Amaral. O filme retrata a trajetória de Macabéa, uma jovem migrante nordestina em São Paulo, e é lembrado pela abordagem sensível da desigualdade social. Em segundo lugar está o clássico “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, um dos principais nomes do Cinema Novo.

A obra consolidou-se como referência estética e política do cinema brasileiro. O terceiro colocado é “Carandiru”, dirigido por Hector Babenco. O filme narra o cotidiano da antiga Casa de Detenção de São Paulo e massacre de presos de trágica memória. Já o quarto lugar ficou com a animação “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, que aborda os impactos da globalização, da industrialização e das desigualdades sociais a partir da perspectiva de uma criança. E fechando o ranking aparece “O Que é Isso, Companheiro?”, de Bruno Barreto, que dramatiza o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, ocorrido no Rio de Janeiro em 1969, durante a ditadura militar.

SERVIÇO:

Acesse: telabrasil.cultura.gov.br e faça login via cadastro no app Gov.br

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