Stop Play Moon vai além das passarelas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Jotabê Medeiros<BR>Agência Estado 
Criar climões para as passarelas foi só o começo. Agora, o Stop Play Moon, a banda paulistana que nasceu no rastro dos desfiles de Alexandre Herchcovitch e Marcelo Sommer, já engendra climões para a cidade toda, para a indierada toda. E a prova está em disco, se é que isso ainda faz algum sentido: Stop Play Moon (Entourage Records), coleção de 12 cadenciadas canções produzidas por Plínio Profeta que cabem com perfeição numa pista de dança, mas também no fio da navalha de um palco do Baixo Augusta.
Banda faustofawcettianamente futurista. À frente, uma loira geométrica curitibana de 38 anos, Geanine Marques, que curtiu os últimos discos de Charlotte Gainsbourg e do LCD Soundsystem e não tem essa fixação toda por Lady Gaga (''É style, mas musicalmente não me interessa muito'').
''Aqui ninguém mais é criança'', diz Geanine. Ela se refere a si e aos colegas, Paulo Bega (teclados, baixo, sintetizadores, composição, bases) e Ricardo Athayde (guitarra), o núcleo central da banda, ''três pessoas que nem tinham muita intimidade quando começaram a fazer músicas juntas''. Paulo, ex-modelo como Geanine, acaba de ter filhas gêmeas. Ricardo vem das artes gráficas. A eles se somam, no palco, Gadelha e H.
O Stop Play Moon tem três anos de existência. ''A gente se trombou por acaso, eu e o Paulo. Ele disse: 'Vamos fazer algo juntos? Algo de música?' Aí encontramos o Ricardo. Fomos para a casa dele, e no mesmo dia já fizemos umas tracks. Paulo produz bastante, passa o dia inteiro compondo, tem grandes ideias.''
No final de 2009, o grupo tocou na abertura do show do grupo belga Vive la Fête, na The Week. Em março, na temporada de desfiles da SP Fashion Week, a banda tocou para o desfile da Rosa Chá. Com um pé aqui e outro ali, foi levando seu projeto adiante. Agora, já tem até um estúdio próprio, ali na Rua João Moura, e começa a abrir a grande angular para o mundo - o primeiro gostinho foi no ano passado, quando fizeram uma microturnê e tocaram em Londres e Paris.
O novo álbum mostra que a banda já é um fato do novíssimo pop brasileiro. O disco é azeitado, redondinho. Está cheio de guitarrinhas à The Edge, climões de eletropop, vocalizações bem trabalhadas (não tão deslumbradas com a bagaceira disco punk), mais melódico e trabalhado.
O coquetel pop do Stop Play Moon pode ressuscitar lembranças de coisas como Blondie (Dance Floor), U2 (Take It All e Faking Faces), Iggy Pop (Lucy). Plínio Profeta é um produtor, DJ, compositor, músico que já colocou as mãos em trabalhos de Lenine, Pedro Luís e A Parede, Xis e Fernanda Abreu e tem parcerias como Lucas Santtana, Davi Moraes e De Leve. Também ganhou o Grammy Latino pelo trabalho no álbum Falange Canibal, de Lenine. Deu um trato admirável no grupo. O álbum Stop Play Moon está no Twitter - quem segue a banda pode fazer o download gratuito das faixas. A banda também acaba de gravar o clipe de Mysterious Way, dirigido por Dácio Pinheiro.


