Agência Estado
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Mick Jagger, líder dos Stones: show em São Paulo leva o público ao delírio e a PM registra excesso de lotaçãoO show dos Stones tem uma série de momentos-chave, que Mick Jagger - maestro aeróbico - rege para dominar as emoções do público. Esse clímax vai do rebolado sexy da cantora Lisa Fischer - com seu vestidinho prateado de franjas - à apresentação da banda por Mick Jagger (como se o público não conhecesse todos como velhos parentes).
Os guitarristas Ron Wood e Keith Richards, cigarros sempre acesos nos cantos da boca, são descritos como dois anjos tortos por Jagger. Pinto Maluco e Cigano Selvagem, é como os apresenta. Keith, que termina o show já sem camisa, faz uma saudação oriental ao público, ajoelhando-se na borda do palco, galhos de arruda nas orelhas. O público bate o pé e o Ibirapuera, em São Paulo parece estar vivendo um tremor de terra. Keith é puro abandono no palco, com seus olhos de esquilo esperto e os sulcos no rosto.
Wood é a imagem de um velho junkie depravado e não se preocupa em parecer outra coisa. Mas é o velho Charlie Watts que arranca mais aplausos, com o jeito travado, cumprimentando quase sem erguer a mão.
A Polícia Militar de São Paulo registrou anteontem um boletim de ocorrência no posto da Polícia Civil montado no Estádio do Ibirapuera para apurar o excesso de lotação durante o show dos Stones.
O alvará concedido pelo Departamento do Controle do Uso de Imóveis (Contru), ligado à Secretaria da Habitação e Desenvolvimento Urbano, autorizava a venda de 32.670 ingressos. De acordo com o coordenador da segurança no local, capitão Sérgio de Souza Merlo, do 2º Batalhão de Choque, havia 48 mil pessoas no estádio durante o show dos Stones.
Para provar a superlotação do Estádio, a PM resolveu filmar os focos de maior concentração de público. ‘‘A fita vai para a perícia que poderá comprovar o excesso de pessoas’’, informou.
A preocupação da PM era o número de policiais, inferior ao que normalmente seria mobilizado para um show com 48 mil pessoas. Havia 280 policiais, quando seriam necessários 400 homens, segundo o capitão. ‘‘Não há dúvida de que com esse número de pessoas o risco de ocorrer problemas é muito maior’’. A ocorrência será encaminhada ao Batalhão, que pedirá providências à produção do show e ao Contru. A Polícia Militar não registrou nenhuma ocorência grave, além de oito menores detidos com maconha.
Segundo a produção, a superlotação ocorreu em razão de um derrame de 10 mil ingressos falsos, embora até as 23 horas apenas mil estivessem em poder da bilheteria. Às 21h30, horário previsto para o início do show dos Stones, a fila do lado de fora do estádio era tão grande que, segundo cálculo da produção, seriam necessárias duas horas para todos entrarem. Mick Jagger foi informado do público que estava de fora e concordou em atrasar o show para todo mundo entrar.
Para acelerar a entrada do público, a produção decidiu não checar os ingressos. Resultado: todos, com entradas falsas ou legítimas, tiveram acesso ao estádio. Até meia-noite, cerca de 450 pessoas haviam sido atendidas nos postos médicos. A maioria dos casos foi de desmaios e alcoolismo (apesar da proibição da venda de bebidas alcoólicas). Os 120 policiais militares colocados na área interna tiveram pouco trabalho durante o show. Fora as poucas apreensões de entorpecentes, o problema maior ficou por conta dos ingressos falsos que atrasaram o início do espetáculo. O médico Marcelo Ribeiro era um dos revoltados com a desorganização da produção. Depois de esperar quase uma hora na fila e perder o show de Bob Dylan, reclamou: ‘‘Um problema assim não pode ocorrer num espetáculo desse nível, é um desrespeito com quem pagou caro por um ingresso’’.

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