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Os Stones e Bob Dylan: encontro musical na América do Sul servirá para gravação de single ou faixa em álbum ao vivo da banda inglesa

Os Rolling Stones vão aproveitar a rápida turnê com Bob Dylan pela América do Sul para eternizar em disco a longa amizade entre o grupo e o cantor, segundo o guitarrista da banda, Keith Richards. Em entrevista por telefone de Angra dos Reis (RJ), o inglês Richards, 54, confirmou que o dueto do conjunto com Dylan na música ‘‘Like a Rolling Stone’’ será lançado em CD. A reunião dos grandes mitos do rock já foi gravada em dois shows em Buenos Aires e voltará a acontecer nos shows de hoje no Rio e segunda-feira em São Paulo.
De acordo com Richards, não existe ainda uma definição se a faixa será lançada como single ou em um álbum ao vivo dos Stones. Richards contou como sua amizade com Dylan começou com um provocativo encontro movido a álcool nos anos 60. O guitarrista também falou de seu novo projeto fora dos Stones, ‘Wingless Angels’’, um álbum gravado com músicos de reggae jamaicanos. Abaixo leia trechos da entrevista com Keith Richards.
Estes concertos dos Stones com Bob Dylan na Argentina e no Brasil serão lançados em disco?
Oh, sim, assim espero. Fizemos dois shows em Buenos Aires e fomos muito bem juntos. Ainda não conversei com Bob depois, mas acho que ele está gostando e vamos repetir aqui.
‘‘Like a Rolling Stone’’ entrará em um álbum ao vivo dos Stones ou sairá apenas em single?
Estamos gravando os shows, mas é difícil falar agora. Acho que os shows com Dylan são uma combinação espantosa. Ele está com uma grande banda, com um estado de espírito ótimo. Estou vendo se a gente ensaia outra música para tocarmos juntos. Mas não sei se vai dar com esses barcos pegando fogo (se referindo ao incêndio na lancha do guitarrista Ron Wood, quarta-feira em Angra dos Reis)... (gargalha) Eu não fui junto na lancha porque tive uma premonição (ri). Quando ele (Wood) voltou, estava tudo em chamas. Pelo menos todo mundo está salvo e uma lancha é apenas uma lancha. Foi assustador, mas pelo menos nunca há um momento sem emoção (ri).
Anos atrás, Dylan falou que poderia ter composto ‘‘Satisfaction’’, mas vocês não conseguiriam fazer ‘‘Mr. Tambourine Man’’. Não foi uma espécie de esnobada?
Essa foi a primeira coisa que ele falou para mim. Na verdade, ele disse que podia ter feito ‘‘Satisfaction’’, mas eu não poderia ter feito ‘‘Desolation Row’’. Foi em 1965 e estávamos numa boate e todo mundo estava bêbado (gargalha). Não dá para levar muito a sério. Não foi uma esnobada. Foi a primeira vez que nos encontramos e seguimos sendo amigos desde então.
Você, Wood e Dylan tocaram juntos no Live Aid (megaevento com vários astros pop para arrecadar fundos contra a fome na África) em 85 e não foi uma performance muito afinada. Que aconteceu?
Foi uma daquelas noites... Bob arrebentou seis cordas, a banda atrás de nós estava se aquecendo e estávamos com violões. Não dava para ouvir o que tocávamos. Mas foi tudo por uma boa causa.
Você acabou tocando com Dylan no Live Aid apenas porque Mick Jagger fez um show solo no evento?
É difícil lembrar. Eu decidi fazer o show dois ou três dias antes. Bob veio, começamos a tocar e foi ótimo. Mas eu não tinha idéia de quem mais ia tocar. Apenas fui pela diversão.
Você compôs ‘‘Honky Tonk Women’’ no Mato Grosso (Jagger e Richards passaram férias viajando pelo Brasil em 68), não foi?
Sim.
Como você vai se lembrar do Brasil daqui para frente: o país onde você fez ‘Honky Tonk Women’’ ou onde vocês tocaram com Dylan?
Um grande país, enorme e maravilhoso.
Você está lançando o álbum ‘Wingless Angels’’, gravado com músicos da Jamaica. Como é esse projeto?
Eu toquei nele e também produzi. São músicos que conheço e foi uma honra gravá-los. Eu os conheço há 25 anos (em 72, os Stones gravaram o álbum ‘‘Goats Head Soup’’ na Jamaica) e são uma espécie de família. Amigos muito bons há muito tempo.
Por que demorou tantos anos para gravar um álbum com eles?
Eles não são um grupo formado. Moram num vilarejo de pescadores. Não pensávamos em gravar um disco. Apenas tocávamos para nós mesmos. Mas, após 25 anos, (o disco) meio que aconteceu. Não fizemos planos. De repente, tínhamos o equipamento certo, as pessoas certas. O disco se fez sozinho. Uma coisa de amor. Eu os chamo de Wingless Angels (em português, anjos sem asas) porque eles desejam voar, mas não têm asas. Eles voam com a música.

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