São Paulo, 20 (AE) - O novo álbum do cantor Sting, "Brand New Day" (Universal) é o que se pode chamar de uma miríade de estilos: música ra‹, rap, bossa nova, reggae, country
gospel e rhythmnblues. É também uma convenção de astros: Stevie Wonder (na faixa-título, Brand New Day), James Taylor (Fill Her up), Cheb Mami (The Desert Rose) e a cantora francesa de rap Sté (Perfect Love).
Gravado na Toscana, em Londres e em Paris, o disco mistura, como sempre, todos os estilos. São dez canções que alternam extrema beleza (como Desert Rose, com Cheb Mami no apoio vocal) e tremenda mediocridade (o country Fill Her up, com James Taylor). Sting já fez discos memoráveis em sua carreira-solo, pós-Police, como o primeiro, "The Dream of Blue Turtles", com um punhado de jazzistas da pesada (os "young lions" Branford Marsalis, Kenny Kirkland, Darryl Jones e Omar Hakim). Seu som é esse mesmo, caracterizado por uma intensa pesquisa sonora, democracia rítmica e um estilo cool, chique.
O problema em "Brand New Day" é justamente o de repetir a fórmula e de não apontar para nenhuma nova direção. Sting tem uma boa formação musical, mas parece que não gosta de correr riscos. Ele trocou agora a pesquisa sonora por um olhar turístico sobre a música ra‹ e os outros gêneros. E só é chique em poucos momentos, como na bossa nova "Big Lie Small World", com um magnífico arranjo de cordas de Dave Hartley. Faz canções sobre reencarnação (A Thousand Years), sobre desencontros amorosos (Brand New Day) e perpetra versos bonitos, como em "Desert Rose" ("Essa flor do deserto/Esse raro perfume/É a doce intoxicação da queda"). Mas qual vai ser a máscara que Sting usará no próximo milênio? (J.M.) Serviço - "Brand New Day". Novo CD de Sting, com participação de Stevie Wonder. Universal. Preço médio: R$ 18,00

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