São Paulo, 06 (AE) - Steve McQueen tinha 50 anos quando morreu de câncer, em 1980. Foi um dos maiores astros de Hollywood, especialmente nos anos 60, sua grande fase. Foi quando fez "Fugindo do Inferno", "Bullitt" e "Crown, o Magnífico" (refilmado há pouco com Pierce Brosnan). O melhor de todos esses filmes é o segundo. O thriller de Peter Yates está sendo lançado em DVD.
Não faltam atrativos ao disco: menu interativo, seleção de cenas, o que permitirá chegar mais rapidamente à eletrizante perseguição nas ruas de São Francisco, bastidores e trailer de cinema. Tudo isso ajuda a fazer do lançamento um item de colecionador, mas o melhor é mesmo o próprio filme. McQueen faz o papel-título. É o detetive Frank Bullitt, uma figura definitiva entre todos os anti-heróis que ele criou. "Bullitt" percebe que há algo de sórdido na missão que recebeu: proteger a testemunha de um crime.
Quando ela morre (na verdade, é ele - um tiro à queima-roupa que bate na tela como um trovão), Bullitt rompe com suas obrigações legais e institucionais correndo atrás de sua presa numa vertiginosa perseguição nas ladeiras de São Francisco. Nem por isso vira um justiceiro implacável na linha de Charles Bronson. Yates, diretor que veio do teatro, usa o personagem para tratar do seu tema preferido: as lutas que um homem precisa levar, quase sempre consigo mesmo, para viver com a posse de uma consciência.
O cinema mostrou muitas cenas de perseguição. Algumas se tornaram clássicas, mas a melhor é mesmo a de "Bullitt". É de tirar o fôlego. Mas Yates não é só um diretor capaz de filmar objetos em movimento. Mesmo quando trabalha com arquétipos, ele consegue dar densidade e intensidade aos conflitos. Há toques sofisticados que contribuem para o enriquecimento da trama. McQueen é uma presença de grande carisma e magnetismo. E o filme ainda traz Jacqueline Bisset em seu primeiro papel destacado. (L.C.M.) Serviço - "Bullitt" (Bullitt). EUA, 1968. Direção de Peter Yates, com Steve McQueen. Warner. 113 min

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