STÊNIO GARCIA
VOLTA À ESTRADA
‘‘Carga Pesada’’, série em que ele atuou ao lado de Antônio Fagundes, volta ao ar no ano que vem
Mera Teixeira
Agência Estado
Arquivo FolhaStênio Garcia: ‘‘Gravando em lugares diferentes, vamos usar a cultura de cada região’’Vinte anos depois, Stênio Garcia volta a atuar na nova versão da série ‘‘Carga Pesada’’, ao lado de Antônio Fagundes. Eles estarão de volta no próximo ano, protagonizando os caminhoneiros Pedro e Bino, e prometem conquistar nova geração de fãs com o mesmo êxito da década de 70, quando foram ao ar 54 episódios, alguns escritos pelos próprios atores. A série de Aguinaldo Silva será filmada em várias regiões do País, mas ainda não tem data definida. Quando for exibida, ganhará algumas cenas da primeira versão, época em que Garcia tinha 45 anos. Hoje, aos 65, comemora o retorno da série lembrando que ‘‘Carga Pesada’’ revelou ‘‘uma classe da sociedade brasileira, das mais importantes’’.
Enquanto aguarda as gravações, o ator aproveita as férias globais. Depois de viver o peão Zé do Araguaia em ‘‘O Rei do Gado’’, ele gravou duas minisséries. Além de participar de um dos episódios de ‘‘Mulher’’, como o delegado Rosas, em ‘‘Hilda Furacão’’ vive o ricaço Tonico Mendes. Ainda neste semestre, ele retornará ao teatro para atuar em ‘‘Jesus Cristo Segundo o Evangelho’’, ao lado de sua esposa, a atriz Márcia Barros. A estréia será na capital paulista e segue para outros Estados.
Como é voltar a atuar em ‘‘Carga Pesada’’ depois de 20 anos?
Stênio Garcia - Para mim e para o Fagundes é uma oportunidade de retomar um trabalho muito importante no Brasil. ‘‘Carga Pesada’’ revelou uma classe da sociedade brasileira das mais importantes. Ninguém conhecia a importância do caminhoneiro na sociedade. Se pensarmos em termos territoriais do Brasil o caminhoneiro é muito importante. Esse homem era e é para nós, a pele e o estômago do homem brasileiro, que muitas vezes colabora até na notícia. Em determinadas regiões onde não existe a luz elétrica, é o caminhoneiro quem leva a notícia. E agora a gente retoma esse programa que parou no auge de sua popularidade. Para nós é muito gratificante. Paulo Ubiratan teve a idéia de retomar a série e agora temos que ter alguém que retome com o mesmo interesse. Ubiratan dizia que ‘‘Carga Pesada’’ era o programa mais importante da Globo até hoje. Perdemos o pai de ‘‘Carga Pesada’’ e ficamos órfãos.
Muda alguma característica no perfil de Bino?
Stênio Garcia - Bom, 20 anos de vida, onde tudo pode ter acontecido, há algo novo. Mas vai depender da proposta dos autores. O personagem assume casamentos e vidas desfeitas. Há reorganizações de vidas. O barato é isso. Depois de 20 anos ele escarafuncha tudo (risos).
A série anterior foi gravada somente no Rio e desta vez mostrará outras regiões do País. O que isso acrescenta na história?
Stênio Garcia - Há muito mais potencialidade. Será abordado tudo o que está acontecendo no Brasil e nas regiões. Agora vai ser mais viável. Gravando em lugares diferentes, vamos usar a cultura de cada região. Podemos contar com o sistema de produção da emissora do Acre, por exemplo, e principalmente falar da cultura de cada região. É interessante revelar curiosidades de Norte a Nordeste até o Sul.
Você acha essa história contemporânea?
Stênio Garcia - Está vivíssima. A gente está aí. Eu e o Fagundes estamos fazendo comunicação de venda com os mesmos personagens no comercial dos caminhões Volvo. A grande possibilidade na nova versão é colocar casamentos e filhos nos dois. Há possibilidades vivas. A Globo tem um acervo de 54 episódios, um material de lembranças. As cenas revelam a gente mais ágil, pulando do caminhão. Éramos mais jovens, com menos barriga e cabelos brancos (risos).
Antes de ‘‘Carga Pesada’’ você fará algo na TV?
Stênio Garcia - Estou com duas minisséries para ir ao ar. Em ‘‘Hilda Furacão’’ faço o Tonico Mendes, baseado num personagem da vida real. Ele é um fabricante de filhos e deixou 60 (risos) . Vinte e três deles comprovaram DNA e herdaram mais de 1 milhão de dólares. Ele é dono dos cinemas e hotéis de Belo Horizonte e mais 160 fazendas. Uma característica dele é que gostava de garotas virgens. Em ‘‘Mulher’’, participo do oitavo episódio como o delegado Rosas, que entra em ação quando um bandido invade a clínica.
Você terminou a temporada de ‘‘Michelângelo’’ recentemente em Curitiba. Já tem planos para voltar aos palcos?
Stênio Garcia - Logo começo ensaiar ‘‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’’, com direção de José Possi Neto. Não sei qual será meu personagem ainda porque a escala só virá depois da adaptação do texto do português José Saramago. Bom, tem personagens maravilhosos. Jesus não farei porque tem que ser um ator mais jovem. Faço talvez o diabo, Deus ou José. A Maria, com certeza não (gargalhadas). Esse convite surgiu há dois anos. O projeto está sendo vendido com meu nome, mas tem um grande elenco. A Márcia Barros e o Tuca Andrada também fazem parte. A estréia será em São Paulo. Me coloquei à disposição para fazer até o Querubim, já que Possi Neto não quer anjinho (risos).

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