Stellinha Egg ganha homenagem no MIS
Simone Mattos
Quase desconhecida em sua cidade natal, mas reconhecida internacionalmente, a cantora curitibana Stellinha Egg será homenageada na segunda-feira com uma exposição no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Curitiba. No mesmo dia, será lançado um caderno de 60 páginas, contando a vida e a obra da artista.
Misturando folclore à música popular brasileira, ela fez sucesso no Rio de Janeiro e em São Paulo, nos anos 50, quando atuava como cantora de rádio. Na mesma década, a artista foi eleita a melhor intérprete do folclore brasileiro.
Além de se apresentar por todo o país, a cantora levou a música nacional para o exterior. Ela sempre fez questão de incluir canções do folclore brasileiro em suas turnês internacionais. ‘‘A imprensa do Paraná nunca deu espaço a ela’’, reclama a funcionária do MIS, Valquíria Renk, que participou da elaboração do caderno.
Na obra, Valquíria explica que o público encontrará a trajetória pessoal e profissional de Stellinha. Casada com o maestro e arranjador Lindolpho Gaya desde 1945, ela passou a maior parte da sua vida no Rio de Janeiro, onde manteve intensa atividade artística. Gravou muitas canções em países da Europa, incluindo Rússia e Polônia, e foi amplamente premiada em cidades brasileiras.
Combatida pela família quando trocou a carreira do magistério pela da música, começando na década de 30 na rádio curitibana PRB-2, a cantora rapidamente provou que poderia se sustentar com sua arte. O cachê que ela ganhava num programa de rádio, em São Paulo, superava o salário de um mês de trabalho como professora no Paraná.
Nessa época, ela foi considerada a intérprete que mais gravou Dorival Caymmi. As canções ‘‘O Vento’’ e ‘‘O Mar’’, que mais tarde se tornaram clássicos, deram à Stellinha uma medalha de ouro, conferida pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro, e um disco de ouro, pelo jornal O Globo e pela rádio Globo. Ela também foi consagrada pela interpretação de ‘‘Luar do Sertão’’ e por seu amplo repertório de MPB.
A exposição, que será aberta ao público às 19h desta segunda-feira, mostrará peças de seu vestuário, discos, fotos, jornais e revistas que mostram a trajetória da artista que nasceu e morreu em Curitiba. ‘‘O acervo foi organizado pela própria artista e doado recentemente ao Estado pela sua família’’, explica Valquíria.
O Caderno do MIS nº 21, dedicado à Stellinha Egg, reúne depoimentos da artista, cartazes de espetáculos e recortes de jornais sobre a cantora e o maestro, mostrando um estudo mais denso e detalhado de sua vida e obra.
A iniciativa conta com o apoio do jornal Folha da Imprensa, do Rio de Janeiro, que reproduziu uma matéria de página inteira com entrevista de Stellinha Egg, publicada há 20 anos.
A abertura da exposição em homenagem à Stellinha Egg e lançamento do Caderno do MIS nº 21 acontecerão no dia 22 de fevereiro, às 19h, no Museu da Imagem e do Som (MIS), na Rua Barão do Rio Branco, 395. Maiores informações pelo fone 323-5382.

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