STAR WARS, ainda pode melhorar
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br>Especial para Folha2 

"Hoje eles disparam, amanhã vocês vão disparar...Isto é um negócio" . Esta reflexão do mercenário e traficante de armas DJ (Benicio del Toro), ouvida durante o oitavo episódio de "Star Wars", pretende ser um comentário obscuro, adulto, acerca dos conflitos bélicos e seus inerentes interesses pecuniários. É uma tentativa mais, sem muita convicção, diga-se, de se impor um argumento mais "sério" diante das trilogias na aparência mais inocentes e honestas na abordagem do arquetípico e produzidas nos períodos 1977-1983 e 1999-2005 sob o controle pessoal de George Lucas.
No entanto, este ponto cínico de DJ, em última análise, não se preocupa com o caráter da fantasia em que o personagem está imbricado fantasia que jamais adquire uma natureza sustentável. colocadas por convenção em lados opostos e cujas escaramuças não apenas duram por muitos e muitos minutos o filme, embriagado de si mesmo, prolonga-se com altos e baixos até duas horas e meia de metragem mas ameaça continuar por muitos episódios e trilogias, uma vez alcançado o ápice da clonagem dramática, aliás nada expressiva.
De qualquer maneira, o filme não é tão preguiçoso como o anterior "O Despertar da Força", com o qual o roteirista e diretor J.J. Abrams pretendeu atualizar, pela via de um remake descarado, o seminal "Star Wars IV Uma Nova Esperança" (77), a trilogia mais popular da franquia, origem de todo um empório de merchandising e de licenças: aquela trilogia liderada por Luke (Mark Hamill), Leia Organa (Carrie Fisher) e Han Son (Harrison Ford). Naquele filme (O Despertar da Força) pouco foi permitido fazer à nova geração de rebeldes, Rey(Daisy Riley), Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac) na luta contra o Império Galáctico e seu regime sucessor, a Primeira Ordem. Eles apenas vagaram por um parque temático cuja única originalidade era a referência à correção política dominante.
Agora, graças ao diretor Rian Johnson, "Os Últimos Jedi" flui com mais naturalidade que seu antecessor. Mesmo quando segue a planilha de um dos grandes clássicos da saga "Episódio V: O Império Contra-Ataca", com ecos e fantasmas perceptíveis em suas imagens com insistente obviedade. Por um lado, a trama antepõe Rey e Luke, que não quer revelar à garota os segredos da Força; e por outro, coloca contra o relógio a dupla Poe-Finn para evitar que as tropas do sinistro lide supremo Snoke (Andy Sirkis) aniquilem a frota estelar rebelde conduzida por Leia e Amilyn Holdo (Laura Dern).
O diretor Johnson administra com bastante naturalidade (não isente de humor peculiar) todo um conjuntos de signos, cenografias, um acervo familiar,bem como quando sabe usar a elegância para caracterizar algumas sequências, como aquelas que ocorrem na sala do trono do Líder Supremo Snoke. Mas como texto em si mesmo considerado, "Os Últimos Jedi" é tão insatisfatório quanto "O Despertar da Força". Os personagens dificilmente podem ser considerados como tais; em suas relações tratam de forçar vínculos afetivos sem efeitos convincentes. Os diálogos entre eles em geral oscilam entre explicações para os respectivos graus de coragem, a repetição implacável de slogans a Força, o Poder do Amor, o lampejo da esperança... e a troca de aforismos dignos de qualquer livro de autoajuda.
Parece que o grande desafio (parcialmente vencido) para o diretor Johnson foi lidar com um nível de satisfação de um público adolescente formatado para o sistema Marvel. Ele soube lidar com isto. A garotada que não entendeu direito o discurso que trate de buscar e resgatar os melhores momentos de "Star Wars". Está tudo lá, e poderá ser muito útil para o que ainda vai acontecer nesta galáxia muito, muito distante.


