Stanley jazz fusion Jordan
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

Nascido em Chicago, Illinois, Stanley Jordan é um dos mais guitarristas mais expressivos e inventivos do chamado jazz fusion, quando há a fusão de dois ou mais gêneros musicais. Apesar da definição, ele próprio diz não reconhecê-la, mas que entende. No entanto, ressalta que procura misturar as propriedades dos gêneros, no que chama de integração para a criação de algo novo. Rótulos a parte, não há dúvidas de que Stanley é precursor em várias técnicas, uma delas, a tapping, utilizando as duas mãos no braço da guitarra, que traz novas possibilidades de ritmo e harmonia. Isso só coloca em evidência sua personalidade musical, sempre com muita versatilidade e grande ousadia, que podem ser conferidas em suas reinvenções de obras clássicas ou explorações inspiradas de hits pop-rock, a incursões diretas ao jazz ou improvisação ultramoderna.
O guitarrista volta ao Brasil no final deste mês para uma série de shows que acontecem em várias cidades, como Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Ilha Bela, Três Pontas e São Paulo. Londrina também entrou na rota e recebe o americano no próximo dia 30 de setembro, às 20 horas, no Möress Buffet Contemporâneo. O evento, que tem apoio do Grupo Folha de Comunicação, faz parte de um novo conceito que busca oferecer conforto e requinte para o público, já que, além do show, haverá serviço de buffet (cobrado a parte). Ele será acompanhado dos brasileiros Dudu Lima (baixo) e Ivan Conti, o "Mamão", baterista do Azymuth, banda do jazz brasileiro desde os anos 1970. O evento tem a abertura do trio de jazz londrinense formado por Mateus Gonsales (piano), André Siqueira (guitarra) e Liliane Accorsi (vocal).
Confira a entrevista exclusiva de Stanley Jordan à FOLHA:
Como definiria sua música atualmente? Utiliza elementos musicais de outras culturas?
Minha música é impossível de definir, porque está sempre mudando e evoluindo. Posso dizer-lhe alguns elementos que normalmente uso, tais como: melodia lírica, criatividade harmônica, expressão emocional profunda, ritmo e alma. O propósito da minha música é despertar a minha própria consciência e, em seguida, compartilhar a experiência profunda de despertar com os outros. É uma via de mão dupla, porque eu sou muito influenciado pela música que ouço no mundo, incluindo a música de muitas culturas. Mas sempre passa através do meu próprio filtro, por isso, continua a ser uma expressão profundamente pessoal.
Como avalia o espaço conquistado pelo jazz fora dos Estados Unidos?
Eu sinto que o jazz é uma das melhores exportações dos Estados Unidos e tem sido compreensivelmente espalhado por todo o mundo. Onde quer que vá as pessoas adaptaram esta música à sua própria cultura. Por exemplo, na Europa, há um fluxo de jazz na gravadora ECM que é influenciada pelo impressionismo Europeu e classicismo moderno. Todo mundo sabe que a Bossa Nova tem um elemento de jazz forte. Mas muitos não sabem que a Bossa Nova influenciou o jazz. Tom Jobim descobriu isso quando ele viajou pela primeira vez para Nova York com Roberto Menescal.
Qual sua opinião sobre o público de jazz no Brasil?
Eu adoro tocar no Brasil porque descobri que o público ouve com suas mentes e seus corações. Essa é a chave para entender a minha música, e é por isso que eu sempre me sinto completamente compreendido aqui.
Você é de uma terceira geração do jazz. Os guitarristas que o antecederam, de certa forma, abriram caminhos para o seu trabalho?
Devo muito aos outros guitarristas que vieram antes de mim. Lembro-me de uma vez quando eu tinha 15 anos e pensei que era um inovador porque eu estava fazendo algumas novas coisas melódicas. Mas, em seguida, alguém tocou uma gravação de Charlie Christian; ele estava fazendo as mesmas coisas em 1940. Eu também adoro caras como Bucky Pizzarelli, que tocou no meu álbum Friends.
Como vê a nova geração do movimento dos guitarristas de jazz?
Eu sinto que a guitarra está viva e hoje há muitas coisas criativas acontecendo. A guitarra é um instrumento incrível, porque tem muito espaço para a expressão pessoal. É bom ver jovens usando isso hoje.
Show Stanley Jordan
Quando: dia 30 de setembro, às 20 horas
Onde: Möress Buffet Contemporâneo (Rua Serra de Roraima, 324)
Quanto: a partir de R$ 120 (assinantes da Folha de Londrina, clientes Unimed, associados OAB, associados HOG (Harley Owners Group), associados Londrina Country Club e associados da Associação Médica de Londrina têm desconto de R$ 15)
Ingressos: Ótica Diniz (Souza Naves, 158/ Av. Bandeirantes, 666); Tommy Hilfiger (Shopping Catuaí); Red Wheel Harley Davidson (Av. JK, 453) ou www.aloingressos.com.br
* Haverá opção de jantar e atendimento de bebidas nas mesas que serão cobrados à parte


