Stan Lee foi o 'pai' de inúmeros super-heróis
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quarta-feira, 14 de novembro de 2018
Luiz Carlos Merten <br> Agência Estado 
Stan Lee foi o mago criador de tantos super-heróis que é preciso fôlego para conseguir nomear todos - Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, X-Men, Hulk, Homem de Ferro, Demolidor, Thor, Dr. Estranho, Os Vingadores, Pantera Negra, Viúva Negra, Gavião Arqueiro, Feiticeira Escarlate, Mercúrio, Nick Fury, Homem-Formiga. Ufa! Quase todos saltaram dos comics para as telas dos cinemas. Criaram um império cinematográfico.

Nada mau para o filho de pobres imigrantes judeus da Romênia que atravessaram o Atlântico, para se estabelecer em Nova York, onde Stanley Martin Lieber nasceu, em 1922. Seu sonho, quando jovem, era escrever um grande romance. Morreu, na última segunda-feira (12), aos 95 anos, em Los Angeles, com quase tantos títulos e profissões como os personagens de fantasia que criou, e rebatizado como Stan Lee. Editor, ator, produtor, roteirista de HQs, jornalista, soldado, apresentador de TV, etc, etc... Suas criações movimentaram e movimentarão bilhões de dólares no universo do entretenimento e ele se tornou ainda mais conhecido porque, como o mestre do suspense, Alfred Hitchcock, adorava fazer pontas nos filmes de seus super-heróis, mas aí não era mais Stanley - era Stan.
No recente Pantera Negra, fazia o apostador que interagia com T'Challa no cassino em que o herói tentava capturar Ulysses Klaw. Sua influência cresceu quando, no fim dos anos 1950, os super-heróis andavam em baixa e a DC Comics lhes deu vida nova. Com carta branca do editor da Marvel, Martin Goodman, criou um novo time de super-heróis. Mas é preciso contextualizar. Estava batendo nos 40, cansado de criar estereotipados.
Sua mulher, Joan - com quem foi casado de 1947 a 2017, e a morte dela, no ano passado, produziu-lhe um baque -, incentivou-o a criar heróis mais verdadeiros, com a cara dele. Stan Lee iniciou uma revolução na Marvel.
Os críticos discutem o real significado de tantos superpoderes. Acusam Stan Lee de metaforizar o poderio norte-americano e de haver transformado o universo do cinema num imenso parque temático regado a efeitos.
Seria o responsável pela infantilização da cultura pop no início do terceiro milênio. Ele próprio nunca levou a sério essas acusações. Dizia que, como leitor de ficção científica, sempre gostou de imaginar outros mundos, outras possibilidades. Seus super-heróis tendem a proteger os humanos, a Terra, a democracia. Originaram filmes grandes e, por que não?, alguns grandes filmes. A Comic Con, em dezembro, terá de fazer-lhe justiça.


