STALLONE EM NOVA FASE
Depois de ganhar 20 quilos para fazer ‘‘Cop Land’’, ator prepara-se para voltar a dirigir um filme
Alessandra Lariú
PLanet Pop/AE

ReproduçãoSilvester Stallone recebe até US$ 20 milhões para fazer um filme que chega pelo menos a US$ 60 milhõesCom mais de 35 filmes em seu currículo e experiências em roteiro, direção e produção, Sylvester Stallone quer agora se desvencilhar da imagem de herói de filmes de ação a que ficou associado nos últimos 20 anos, desde que apareceu como o boxeador Rocky Balboa. Aos 51 anos, o ator considera seu trabalho em ‘‘Cop Land’’ - apontado pela imprensa internacional como seu primeiro papel ‘‘sério’’ - o início de uma nova fase. Dedicação e esforço não faltaram no processo: além de ter engordado quase 20 quilos e logo depois emagrecido tudo, ele se dispôs a repetir a dose quando o diretor James Goldman resolveu fazer novas filmagens meses depois de concluída a produção. Não foi preciso, as cenas adicionais foram feitas em planos especiais para não mostrar a diferença na aparência. Leia a seguir os principais trechos da entrevista que Stallone concedeu em Londres.
Por que resolveu aceitar o desafio de mudar sua aparência para ‘‘Cop Land’’?
Stallone - Freddy não é um herói de filmes de ação. No início achei que não conseguiria viver um personagem como ele. Resolvi ganhar peso porque achei que poderia dar mais credibilidade ao personagem se tivesse um visual diferente. Passei cinco semanas comendo muito mais do que o normal e consegui engordar quase 20 quilos.
A mudança física mexeu muito com o sr.?
Stallone - Nunca havia percebido o quanto o físico influencia um personagem. Para que as pessoas acreditassem nele, era preciso que ele tivesse dificuldades em se defender. Vi que precisava mudar o jeito de andar, de falar e transformá-lo em um homem comum. Também procurei mudar a maneira como eu me enxergava. Isso fez com que eu me sentisse muito mais no controle do meu trabalho, depois que me acostumei. Nos primeiros dois meses, estava em um processo de negação total, pensava que aquele não era eu, tinha que aguentar as piadas... Depois vi que a coisa não era tão séria.
E como se sente hoje?
Stallone - Hoje eu continuo indo para a academia com muita frequência, treinando cerca de três horas por dia, mas passei a ter outra atitude, mais casual e relaxada. Acho que fiz um ótimo começo em outra direção. Depois que ‘‘Rocky’’ completou 20 anos, acho que não ficava bem eu continuar a aceitar o mesmo tipo de papel.
O que acha da imagem de herói de filmes de ação a que é constantemente associado?
Stallone - Eu não percebi o efeito que tinha nas pessoas até fazer ‘‘Rambo 2’’. Até então, achava que estava participando de filmes de ação e não uma produção violenta. Percebi que as pessoas passaram a me considerar como um objeto, uma presença física. Muito tempo depois é que consegui mostrar que eu era um pouco mais versátil do que aquilo, o que deixou algumas pessoas revoltadas. Parte do meu público não entende por que eu não estou mais dando tiros e matando pessoas em todos os filmes e sei que esses não vão me perdoar nunca por ter feito ‘‘Cop Land’’.
O sr. acha que o gênero morreu?
Stallone - Acho que aquele tipo de filme é muito característico do fim dos anos 80 e até do início dos 90. Mas elas eram produções de atores, em que cada astro dava a cara do filme que estava fazendo. O que acontece hoje é que os atores estão procurando fazer as coisas de maneiras diferentes, eles estão tentando redefinir o gênero. Nicolas Cage não quer fazer o que eu faço. Acho que os filmes de ação do futuro vão ser mais baseados em efeitos especiais interessantes. Os filmes de músculos são coisa do passado.
O que acha dos cachês inflacionados de Hollywood?
Stallone - Você tem que ver o lado dos atores: ninguém lhe dá nada de graça. Os estúdios vendem a idéia contendo Sylvester Stallone ou Arnold Schwarzenegger ou Harrison Ford previamente para os distribuidores para saber se vão recuperar o investimento. Se eles me pagam US$ 20 milhões, é porque sabem que vão fazer pelo menos US$ 60 milhões. É claro que é insano, que ninguém merece uma quantia destas, mas é como esse negócio funciona. O mercado cinematográfico está crescendo a passos largos a cada ano, no mundo inteiro. Filmes como ‘‘Daylight’’, ‘‘Cobra’’ e ‘‘Falcão - O Campeão dos Campeões’’ não arrecadaram muito nos Estados Unidos mas tiveram faturamentos inacreditáveis em outros países.
Quais são seus próximos projetos?
Stallone - Meu próximo filme vai ser um thriller de ação, que vai ser dirigido por uma mulher, mas não posso revelar mais detalhes. Acho que sempre que usamos a expressão ‘‘filme de ação’’, as pessoas associam com músculos, mas não é o caso desta produção. Uma coisa que pedi é que o papel seja escrito para uma pessoa da minha idade. Hoje em dia eu preferia fazer um personagem de 70 anos do que tentar passar por 25 anos. Entre meus próximos projetos também está voltar a dirigir.

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