ST2 Vídeo lança documentário inédito do The Doors com atuações ao vivo do grupo9/Mar, 16:19 Por Jotabê Medeiros São Paulo, 09 (AE) - A imagem é perfeita. Dá até para ver os bordados nas mangas da camisa branca de dândi de Jim Morrison enquanto ele canta "Love me Two Times". "Ama-me duas vezes, baby/Uma por hoje/Outra por amanhã". "The Doors - Live in Europe 1968", da ST2 Vídeo, é um documentário com cenas raras de uma das bandas mais superexpostas do planeta, o que é algo a se festejar. Mas é também uma montagem inteligente - convém lembrar que não se faziam videoclipes em 1968 e esse material só foi compilado muito tempo depois pelo tecladista Ray Manzarek, verdadeiro dono (por direito) do espólio dos Doors. O vídeo é inédito, mas nem todas as imagens são. São dez canções realizadas durante turnê pelas cidades européias (Londres, Estocolmo, Frankfurt e Amsterdã), entre elas "Back Door Man", de Willie Dixon, e "Alabama Song", de Kurt Weill e Bertolt Brecht. Além das canções, o documentário é pontuado por comentários de Paul Kantner e Grace Slick, ex-membros da banda lisérgica Jefferson Airplane, contemporânea dos Doors. Eles sabem o que dizem, já que também estiveram naquela turnê. "Os anos 60 foram mais que música", diz Kantner. Ele está absolutamente certo. Os Doors foram um fenômeno dentro do fenômeno, algo que ocorreu por uma conjunção inefável de fatores. O principal desses fatores se chamava Jim Morrison, para quem "música era um pura expressão de alegria, uma celebração da existência, sem limites". Era tão desregrado e intuitivo que se converteu numa espécie de mártir de sua época, após morrer de overdose em Paris. Na turnê européia do vídeo, há um momento que registra seu incêndio comportamental. No meio da introdução de "Light My Fire", ele roda como um pião, cai e é levado para o camarim com convulsões. Aí, quando todos pensam que o show seria cancelado, Ray Manzarek assume os vocais e leva o espetáculo adiante. Morrison aparece em divertidas montagens. Cantando "Hello, I Love You" no meio dos fãs, na praça, com espectadores de gravata na platéia. Um garoto cochicha no ouvido de um broto. Jim conversa com os fãs. Entre as inúmeras histórias em torno de Morrison, consta que uma vez que ele, incógnito, beijava uma moça nos bastidores e foi detido pela polícia. "Ele costumava ir ao banheiro tocando gaita", conta Kantner. Essa atitude "casual" era autêntica em Morrison e depois se tornou gesto estandartizado para uma legião de seguidores. Mas, além de tudo, ele era um gigante no palco, com sua voz de barítono e os ataques furiosos contra um inimigo invisível. "Nenhuma recompensa eterna nos dará o perdão agora", murmura, no vídeo. Certamente não, mas Jim Morrison visto em plena forma é sempre uma caminho de redenção. Serviço - "The Doors - Live in Europe 1968". 58 minutos. ST2 Vídeo. Site www.st2.com.br

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